5 - O ANTI–SOVIETISMO
01.02.2004
5º) O ANTI–SOVIETISMO – ARMA DA CONTRA–REVOLUÇÃO A “LUVA DE FERRO” DO SECRETÁRIO ADMINISTRATIVO DO BUREAU POLÍTICO
Como se falará mais adiante do conteúdo da contradição fundamental no seio da frente, a verdadeira causa da crise interna no seio do MPLA, a verdadeira e básica responsável desta situação é, diante do nosso Povo, diante da nossa revolução, o anti-sovietismo de que o actual Secretário Administrativo do Bureau Político, Lúcio Lara é verdadeiro” leader“.
Tal como noutros processos revolucionários também em Angola e no próprio seio do MPLA formou-se e se consolida dia após dia uma forte e perigosa aliança contra-revolucionária entra as forças da social-democracia e os maoístas.
Com efeito, é conhecida a apologia que o Secretário Administrativo do Bureau Político faz ao”comportamento excepcional” – segundo a sua linguagem – dos chineses em África e a sua reprovação ao comportamento dos camaradas soviéticos, em relação aos quais sustenta, em consciência, um profundo sentimento de abjecção.”Os chineses são mais simples e os soviéticos são ostentosos”, disse-me ele, pela primeira vez, em Brazaville, em Agosto de 1974.
Mas porque, como dizia Lénine em” Que Fazer”, cito:
“Uma vez mais se confirmou a acertada observação de Parvus, de que é difícil apanhar oportunista com uma simples fórmula, porque facilmente assinará qualquer fórmula e com não menos facilidade a renegará, porque o oportunismo consiste precisamente na falta de princípios mais ou menos definidos e firmes”.(20)
dizia eu, tendo em conta que a subtileza do Secretário Administrativo do Bureau Político o levaria a renegar aquela afirmação, há que demonstrar o seu anti-sovietismo com outro facto.
Assim, em Outubro deste ano (1976), falando diante de estudantes, nossos militantes que acabavam de chegar da Escola do Partido na União Soviética, disse, categoricamente, a propósito de uma questão que lhe tinha sido apresentada por um dos alunos:
“Estes soviéticos – disse – têm o hábito de se meterem nos nossos problemas. Entretanto, camaradas, o MPLA não é pro-soviético, pró - cubano nem pró - chinês, é uma organização nacional com uma ideologia própria. Acautelem-se porque nós, o MPLA, tivemos de expulsar do então Comité Director um camarada – Paiva – porque tinha a mania de ser”pró – soviético”.
Os estudantes que falaram comigo estão dispostos a declarar o que escrevo diante do Comité Central.
Numa plena atitude de rejeição dos camaradas só porque tinham vindo duma Escola sob a direcção do PCUS, praticamente castigou-os, convidando alguns deles a reganharem os seus antigos empregos. Isto numa altura em que temos carência de quadros! De notar que após uma conversa com o camarada Presidente, pois eu fui comunicar o facto ao camarada Neto, o Secretário Administrativo do Bureau Político resolveu mandar à pressão um deles para o DOM / Regional de Luanda.
Também não é por acaso que a Escola do Partido que deveria funcionar há mais de um ano, segundo decisões do Bureau Político, não avançou porque enquanto o Secretário Administrativo do Bureau Político, estou profundamente convencido disso, não encontrar fórmula de dar-nos uma Escola de Partido sem os professores soviéticos, o MPLA jamais terá esta Escola, salvo medidas em contrário do Comité Central. Entretanto, para aparentar que se dão aulas e se formam quadros vai forjando uma”escola” – a que chama preparatória - onde vão operários que dali saem pessimamente preparados e com, professores totalmente desconhecidos pelo Bureau Político e pelo Comité Central numa nítida atitude de sistemática sabotagem às decisões deste. Para legitimar estas aulas é sempre convidado o Camarada Presidente ou outro dirigente para ir fazer o discurso de abertura ou de encerramento!
Pode-se falar com segurança que existe de facto uma corrente ideológica encabeçada pelo Secretário Administrativo do Bureau Político no seio do MPLA de conteúdo essencialmente anti-soviético.
Torna-se ainda amplamente difundidas e conhecidas as declarações injuriosas e atentatórias ao papel internacionalista da União Soviética debitadas impunemente pelo membro do Bureau Político Lúcio Lara. Este, para provar as suas afirmações, deu a conhecer aos militantes o que ele chamou o caso das sanitas de W.C. que disse estarem acumuladas no porto de Conakry, o que, constitui, segundo suas palavras uma prova do”imperialismo explorador”. Este facto é do conhecimento de muitos militantes em Luanda.
A par disso, nos últimos tempos, e quando os CAC’s e os HENDA’s foram clara e inequivocamente desmacarados como maoístas militantes, (há mesmo provas documentais reunidas em como se prova as ligações destes grupos com o MRPP em Portugal), o Secretário Administrativo do Bureau Político vai tomando, na prática, posição proteccionista em relação aos maoístas inveterados. É assim que, apenas de alguns deles terem sido já sobejamente desmascarados, o Secretário Administrativo do Bureau Político chegou mesmo a propor um deles para a direcção da tal futura Escola do Partido, enquanto outros actuam livremente e em óptimo campo de manobras no DOP e DIP e mesmo no DOM / Regional onde foram nomeados activistas ferozmente maoístas. É a estes cidadãos que o Secretário Lúcio Lara reconhece uma impecável militância muito provavelmente à luz da doutrina de Mao Tse Tung sobre o ascetismo, o moralismo e outras aberrações ideológicas características dos maoístas.
Contudo o Secretário Administrativo sabe disfarçar subtilmente o seu fundo anti-soviético e é forçado apesar de tudo a gritar vivas à União Soviética e a Cuba, é forçado a, de quando em vez, dar aparência de anti - maoísta. Ele reúne as qualidades eficientes dum prestidigitador temperado pelo tempo.
A que propósito vem a questão do Paiva – o expulso por ser”pró - soviético”? Qual é o alcance, a verdadeira intenção, o verdadeiro objectivo desta recordação? Quem são os novos” Paivas” no MPLA de hoje, e que logicamente, devem ser hoje igualmente expulsos?
Ora todos nós sabemos hoje e mais do que nunca – uns mais cedo outros mais tarde – que a social democracia em todos os continentes tem um denominador comum com os maoístas e com o maoísmo: o seu profundo ódio à União Soviética, o seu anti-sovietismo atroz.
O anti-sovietismo é uma variante muito difundida do anti-comunismo. Comummente utilizado por social-democratas e pelos ideólogos da contra-revolução mundial tem sido ultimamente a arma fundamental do conluio dos maoístas e da reacção internacional mas, a popularidade crescente das ideias marxistas-leninistas não permite que estes senhores se furtem às palavras de ordem revolucionárias. Contudo, eles mostram-se suficientemente astuciosos para as utilizarem, mas esvaziando-as do seu conteúdo, tornando-as imprecisas, de forma a melhor utilizarem os aspectos negativos do nacionalismo, do racismo e de outros factores que visam essencialmente a separação do movimento de libertação nacional das outras correntes revolucionárias contemporâneas o sistema socialista mundial e o movimento operário internacional. O anti-sovietismo é um instrumento da contra-revolução, é preciso ensinar isso aos nossos militantes.
A experiência do movimento revolucionário Mundial mostra-nos que a social-democracia não pode passar hoje sem o concurso dos serviços dos maoístas, que se auto-intitulam verdadeiros marxistas-leninistas, ditos ( m-l ). E isto é assim porque os maoístas são mais hábeis em argumentar, daí o servirem de cérebro da ideologia da concepção pequeno - burguesa do mundo.
No MPLA todos os militantes sentem que o Secretário Administrativo tem sabotado as decisões anteriores e actuais do Comité Central em matéria de organização; todos os sectores organizados sabem, por experiência própria de cada sector, que o membro do Comité Central Lúcio Lara é o mais acérrimo defensor dos maoístas e por isso todos reclamam. O que fazer, quando ele é o velho militante co-fundador do MPLA? Aliás, os CAC’s, já em 1975, inteligentemente,”previam” que no dia em que o MPLA começasse a”bater” no maoísmo, o Lúcio Lara seria para eles o principal defensor: a história deu-lhes razão!
Esta santa aliança do maoísmo com a social-democracia, desencadeou, subtilmente, uma campanha reaccionária contra os camaradas que combateram os CAC’s e os HENDA’s, uma louca e furiosa campanha de calúnias e boatos difamatórios para desacreditar militantes honestos que incansavelmente combatem até hoje.
É assim que estes camaradas são perseguidos e ameaçados de morte (vide actas da reunião do Comité Central da JMPLA com o camarada Saydi Mingas), acusando-os de”fraccionistas”; é assim que sou acusado de”agente de Moscovo” principalmente a partir da nossa ida (José Van-Dúnem e eu) a Moscovo por altura do XXV Congresso do PCUS.
“Sem programa definido, sem palavras de ordem claras, sem raízes nas massas, nem tradições revolucionárias, nem biografia política, atraem por vezes as atenções do público graças a circunstâncias favoráveis ou à afortunada capacidade para fazer mais barulho do que os outros; alguns chegam mesmo a afirmar que exprimem os interesses da classe operária, quando na realidade se colocam em posições anti-comunistas e anti-soviéticas” (21), tal é na verdade a fisionomia dos famosos militantes a quem vão os elogios do Secretário Administrativo, e mais, esta é a sua verdadeira fisionomia como dirigente, como político.
Como é que se pode compreender que o MPLA, que fez uma opção socialista, pode ter um Secretário deste tipo no Bureau Político? Como é que o MPLA que tem de estreitar cada vez mais a sua aliança com o campo socialista mundial, nomeadamente com a União Soviética, pode ter um Secretário anti-soviético? Como é que o futuro partido da classe operária angolana poderá aceitar nas suas fileiras e estruturas dirigentes um” leader” do anti-sovietismo?
Hipocritamente, o Secretário Administrativo aparece e se considera o dirigente que segue a linha política do MPLA, o grande respeitador da nossa linha política, o dirigente sem desvios, o cumpridor das palavras de ordem e pensamento do camarada Presidente Agostinho Neto!
Pode haver no mundo, uma maior hipocrisia que esta?
Se há um dirigente contra o pensamento estratégico do camarada Presidente este tem um único nome – Lúcio Lara – que é o chefe dos anti-soviéticos no MPLA. Eis o desvio monumental, o colossal fraccionismo da nossa História. Eu não estou enganado e a história vai confirma-lo.
Como é que agora , ao perseguir com os maoístas o objectivo de combater o”agente de Moscovo”, que sou eu, o Secretário Administrativo do Bureau Político não propalaria mil e uma invencionices cozinhadas pelos seus protegidos acerca duma união de esquerda anti - MPLA ou anti - camarada Presidente e que englobaria os próprios maoístas? Fiquem sabendo pois que o Secretário Administrativo Lara já sabe que entre marxistas-leninistas e maoístas não há unidade possível. E a prática político-social vem demonstrando que os maoístas se unem à social-democracia contra os marxistas-leninistas. E esta é a realidade concreta, o que refuta, no plano histórico e lógico aquelas estúpidas como ignominiosas acusações.
Tal como disse o professor de Filosofia diante dos membros do Comité Central do MPLA em conferência do dia 28 de Janeiro do corrente ano”OS RENEGADOS SEMPRE SE UNEM COM OS SEUS ANTIGOS ADVERSÁRIOS”.
Os arquivos do MPLA possuem uma carta-convite ao nosso Movimento para assistir a última conferência da Internacional Socialista. A Internacional Socialista é o campo de gravitação da social-democracia.
Contrariamente a todas as normas de delicadeza e decoro que presidem as relações entre partidos a Internacional Socialista, notou expressamente na sua carta que os camaradas Lara e outro militante seriam os nomes preferenciais. Esta carta trazia os nomes dos “leaders” da social-democracia europeia entre os quais o de Mário Soares. (Questão discutida em Bureau Político). Estranho convite este! (Se mal não me recordo, é azul a cor de referida carta-convite).
Por todas estas razões, há que dizê-lo com coragem: o membro do Comité Central Lúcio Lara é o” leader” da fracção de direita no seio do MPLA. Entre o camarada Presidente e o Secretário Administrativo do Bureau Político não há nada de fundamentalmente comum, são dois pólos diametralmente opostos, dois contrários que se excluem mutuamente , um é o inverso do outro; este sabota a missão daquele, afirmar o contrário é ser hipócrita.
Por esta razão, ao estender-nos a mão, nós apertamos a”luva de ferro” do camarada Secretário Administrativo do Bureau Político!”Luva de ferro” que parece ter-se abatido, sobre as conquistas da luta de libertação nacional do nosso Povo.
- Categoria 13 Teses




