Ainda a “Nuvem Negra”

11.06.2007

Nuvem Negra

Após sôfrega leitura do “Nuvem Negra”, o drama do 27 de Maio de 1977, da autoria do nosso companheiro Michel, testemunho pungente dos horrores por que passou, acrescentámos ao extenso rol de torcionários que tão bem já conhecíamos, – Eduardo Veloso, Carlos Jorge, Pitôco, Jeituera , etc os Manhingas, os Carindowaluas , os Elias e até, por anuência, o Soba Kapalandanda.


Dos desaparecidos, nesse medonho campo de morte – Calunda –, escreveu Michel; Em memória dos companheiros: João Francisco Ambrósio, primeira vítima do Desterro; dos pioneiros António Ambriz e aquele anónimo e inocente pioneiro que, conjuntamente com o Ambriz, inauguraram no dia 4 de Setembro, a focke; Jorge Dibassano Manuel, Pedro Lukebakio, Manuelito, Gaspar Neto, Humberto Vieira Dias e tantos outros, que connosco, os sobreviventes, estiveram naquele inferno e não puderam regressar. Se a esta enumeração de algumas das vítimas lhe acrescer-mos, tal como garante nas páginas do seu relato, as 12 pessoas que por dia morriam, de inanição, doença ou furo de bala, nos restantes dias do ano, apure-se o resultado, acresça-se-lhe os outros tantos que foram parar ao fundo do Tundavala, os que foram literalmente caçados no Lobito e em Benguela, os que foram encostados ao paredón em Malange e por toda aquela Angola, e comprove-se no final de quantos milhares de vítimas estão sujas as mãos dos algozes, e quão pesada deve estar a consciência da nação.

Escrever sobre este tema é um exercício penoso, pelo qual passou certamente o autor, quando teve que escolher as palavras para relatar as atrocidades que observou e a amarga experiência que viveu ao suportar investidas tão cruéis. Cada gota desta “Nuvem Negra” é uma lição, é um aviso para a necessidade de não permitirmos jamais, que situações do género se repitam.

Miguel Francisco, ao dar a conhecer as suas verdades nuas e cruas, teve um gesto de enorme nobreza em memória de todos aqueles que foram vítimas da repressão, e mostrou ser um homem de enorme coragem ao exigir; Que se faça justiça.

Lembrar para não esquecer.

1de Junho de 2007

José Reis

- Categoria Artigos

Comentários

Uma Reacção a “Ainda a “Nuvem Negra””

  1. Manuel Miguel 15.09.2008 - 22:10:16

    Tive a oportunidade de ler o livro Nuvem Negra e pude perceber que a historia de angola xta sendo abafada, Angola podera tornar-se num pais sem historia se os nossos governantes nao abrirem a mao a estes pormenores (estou com 27 anos e nunca soube que se deu este acontecimento em Angola)

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