Declaração do bureau político do MPLA sobre o 27 de Maio
23.05.2004
A história recente de Angola está recheada de factos e acontecimentos que tocaram profundamente várias gerações de angolanos.
O povo angolano foi e há-de continuar a ser o principal protagonista de todos estes factos que marcaram e marcarão a nossa história.
Depois de mais de quatro décadas sofridas por conflitos de varia ordem, guerras, destruição, excessos de vários tipos, e chegado o momento de caminharmos firmes e decididos na senda da responsabilidade, tolerância e, sobretudo, reconciliação de toda a família angolana.
DECLARAÇÃO DO BUREAU POLÍTICO DO MPLA
SOBRE O 27 DE MAIO
A história recente de Angola está recheada de factos e acontecimentos que tocaram profundamente várias gerações de angolanos.
O povo angolano foi e há-de continuar a ser o principal protagonista de todos estes factos que marcaram e marcarão a nossa história.
Depois de mais de quatro décadas sofridas por conflitos de varia ordem, guerras, destruição, excessos de vários tipos, e chegado o momento de caminharmos firmes e decididos na senda da responsabilidade, tolerância e, sobretudo, reconciliação de toda a família angolana.
A maturidade, o sentido de estado e o alto grau de responsabilidade e espírito de fraternidade e flexibilidade que os angolanos e as suas instituições atingiram, conduziram-nos a paz, a concórdia e a estabilidade política.
Os exemplos mais recentes que nos foram brindados com a finalização do conflito militar e com as manifestações de perdão, tolerância e reconciliação, são provas evidentes desta nova realidade.
Este foi, sem qual quer duvida, um caminho difícil de trilhar, desde o dia 11 de Novembro de 1975.
O MPLA não pode pois estar dissociado dos principais momentos nesta caminhada para a construção de um estado forte, com instituições credíveis, em que as liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos sejam asseguradas, consolidando e ampliando a democracia nos seus múltiplos aspectos.
Hoje, numa altura em que se assinala a passagem do vigésimo quinto ano sobre a data de 27 de maio de 1977, o MPLA não pode ficar indiferente a ela, manifestando a sua posição sobre este facto surgido no seu seio.
Com efeito, apenas um ano e meio após a conquista da independência nacional, numa altura em que as estruturas do partido se adaptavam a sua condição de força política dirigente do estado e da sociedade e quando as instituições do estado vinham sendo organizadas com vista a materialização do programa maior do MPLA, tiveram lugar os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.
Os acontecimentos a volta do 27 de maio de 1977, marcaram assim, de forma bastante negativa, uma época da nossa história recente.
O MPLA acredita hoje, que a atitude de alguns dos seus militantes, que de forma organizada, conduziram uma acção de contestação aos órgãos de direcção do partido e do estado, utilizando componentes de violência com excessos visíveis, que culminaram com a subversão da ordem instituída, foi marcada por uma inadequada apreciação dos fenómenos políticos, económicos e sociais da época.
A reacção a esta acção, levada a cargo pelas competentes instituições para restabelecer a ordem, comportou também exageros, determinados igualmente pela incipiente organização e funcionamento das instituições de zelo dos seus principais agentes.
Neste sentido, o MPLA considera que foram a nação e o povo angolano quem perderam com todos estes episódios negativos. Por isso, em tempo oportuno retirou os ensinamentos deste e de outros processos de cisão, enveredando pelo caminho de transformações graduais internas na base do pluralismo e da reunificação, abandonado assim o selectivismo de classe e o monolitismo.
Deste modo, toda a nossa acção futura deve procurar sempre evitar que comportamentos e atitudes deste tipo possam, novamente, vir a ter lugar, quer nas instituições partidárias quer nas estaduais.
A prática democrática deve constituir o caminho ideal para que os angolanos possam exprimir as suas posições e faze-las prevalecer, qualquer que seja o seu posicionamento político, a sua condição social, credo religioso, origem étnica ou género.
O MPLA acredita estarem reunidas as condições para que os angolanos saibam assumir os seus erros e as suas virtudes, devendo estas prevalecer e ser devidamente reconhecidas.
A contribuição positiva prestada pelos patriotas angolanos na luta pela liberdade e afirmação de Angola, não pode, assim, ser ignorada.
Com relação a todos quanto de algum modo estiveram envolvidos nos acontecimentos em torno do 27 de Maio de 1977, o MPLA recomenda que as instituições do estado, com apoio da sociedade, continuem a trabalhar para que as consequências produzidas por estes acontecimentos não criem entraves ou dificuldades de qualquer natureza, ao exercício pleno dos direitos constituições e legais por qualquer cidadão.
Esta situação não deve, assim, servir para aproveitamentos políticos de qualquer espécie, pois, podem aparecer cidadãos que não tendo estado directamente envolvidos nas acções à volta dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 e das suas consequências, que queiram explorar e exacerbar tais factos, para estimular o ódio e a divisão entre os angolanos.
A nossa postura deve ser contrária a estes propósitos, de forma a caminharmos decididamente para um processo de reconciliação e unidade nacional, cada vez mais profundo e genuíno.
Ao virarmos mais está página da nossa história, devemos assumir o compromisso, perante o povo angolano e o mundo, de tudo fazermos para que Angola seja a pátria da liberdade, da tolerância, da democracia e da justiça.
Luanda, 26 de Maio de 2002
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Comentários
4 Reacções a “Declaração do bureau político do MPLA sobre o 27 de Maio”
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Pergunta: Qual DEMOCRACIA?
Resposta: Ahn, a do papel!!!
Sim, da justiça sobretudo pois então comecemos a tratar de julgar os criminosos responsáveis por esta chassina caso contrário será uma liberdade, tolerância e democracia falsa e o falso é muito perigoso.
Estamos em vésperas do 29º aniversário do 27 de Maio e a caminho do 30º aniversário.O que nos dirá o Estado Angolano e o MPLA agora?
Como irá o Estado curar as feridas da sociedade nesta matéria se nada fez desde 2002, altura em que parecia querer anunciar algo como se pode ler neste comunicado dessa data.
Afinal é assim que se reforça o Estado de Direito? Que estado? Que Direito?
Em honra à memória das vítimas desse massacre, exige-se que o tal Estado de Direito, crie uma Entidade Independente, que possa tratar estes “Acontecimentos” de forma isenta, como nos disseram em 2002que iriam fazer…………
Esta pagina nao pode ser virada enquanto os assassinos do 27 de Maio nao forem sentados no banco dos reus e julgados pelo tribunal internacional.
Declaracoes nao adiantam nada!!!!!!!!!!!!!!