José Agostinho
21.06.2007

Já não faz parte do nosso quotidiano, José da Piedade Agostinho, o cantor e compositor que também foi dirigente da JMPLA, a organização política da juventude. Comigo partilhou alguns dos momentos mais sérios, por que talvez tenhamos passado, na sequência repressora do 27 de Maio de 1977.
Hoje, evoco aqui o saudoso companheiro com quem tive o privilégio de entoar tantas canções.
Estivemos juntos na cela “D” da cadeia de São Paulo, no mês de Junho de 1977, e aí cantámos. Levaram-nos um dia, quis a desdita, para o Campo de Concentração do Tari, na Quibala, e também aí cantámos. A 29 de Setembro de 1979, dia em que, assim ditou a sorte, recebemos ordem de soltura, voltámos a cantar.
Quem no Tari, dos que por lá penou, se não lembra do Kitaxi, Kitaxi, ou daqueloutra – É preciso cantar, cantar sempre, cantar sem medo – ser cantada por mil vozes? Foi também aí, lá para as terras do Kuanza-Sul, numa noite de enorme inspiração e com o talento que lhe era próprio, que Zé Agostinho musicou o belíssimo poema REGRESSO, de Amílcar Cabral, hoje celebrado nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso e que por sorte encontrei, nesta brasileira versão de Isa Pereira. Não resisti, fiz um “roubo”.
Boa audição.
José Reis
- Categoria Maio Cultura
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Certamente, fruto da enorme emoção após tão grande ovação, não mediu bem as palavras, a cantora, designando Amílcar Cabral como o compositor da música Regresso. Apenas deixo aqui esta nota para clarificar. Isa Pereira cantou as belas palavras de Cabral numa melodia imaginada por Zé Agostinho.
Estará eternamente presente nas memórias de quem o amava! Um homem marcado para ser uma das figuras mais emblemáticas da sociedade política Angola, porque tenho eu, e todos os que o conheciam, a certeza de que teria sido um grande defensor da Nação Angolana, um político que gostava de interagir com as populações no verdadeiro sentido.
Tio Zeca, nós continuamos a sentir muito a tua falta.
Eu, continuo a espera que Angola te faça justiça e uma homenagem sentida.