Justiça argentina condena símbolo da ditadura à prisão perpétua

29.10.2011

Outros onze militar também receberam a pena máxima em julgamento que durou quase dois anos 

O ex-oficial da Marinha de Guerra argentina Alfredo Astiz, 59 anos, símbolo da repressão criminosa durante a ditadura (1976-1983), foi condenado nesta quarta-feira à prisão perpétua, por crimes, torturas e sequestros. 

“Condeno Alfredo Astiz à pena de prisão perpétua por privação ilegítima de liberdade, tortura e homicídio”, informou o veredicto do tribunal argentino. 

Astiz, conhecido como o “Anjo louro da morte”, já foi condenado à prisão perpétua à revelia na França (1990) e na Itália (2007). 

O comandante Astiz, reformado em 1998 por dizer à imprensa que “mataria” e “colocaria bombas” se recebesse ordens, foi considerado culpado do desaparecimento das freiras francesas Leonie Duquet e Alice Domon, da fundadora das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, e do escritor e jornalista Rodolfo Walsh, entre outras vítimas. 

O chefe de Astiz durante a ditadura, o comandante Jorge ‘Tigre’ Acosta, também foi condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade, do mesmo modo que o comandante Ricardo Cavallo, preso no México e extraditado em 2008. 

Os crimes foram cometidos na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), um centro clandestino por onde passaram mais de 5 mil presos – apenas cem deles foram liberados com vida.

 Dos dezoito acusados no processo, dois foram absolvidos, quatro receberam penas de entre 18 e 25 anos de prisão, e doze foram condenados à prisão perpétua. O julgamento durou quase dois anos. 

“A Justiça é a base para a democracia. Os que morreram na ditadura não deram sua vida em vão. Foi como uma semente. São todos mártires”, disse a freira francesa Geneviève Domon, irmã de Alice Domon, desaparecida durante a repressão. 

“Esse julgamento é produto da luta de anos dos sobreviventes e dos organismos de direitos humanos”, disse Myriam Bregman, advogada da família do escritor Walsh, visto com vida pela última vez na ESMA, após ser ferido em uma emboscada. 

( Agência France-Presse)

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