25 anos depois da tentativa de golpe muito continua por esclarecer

25 anos depois da tentativa de golpe muito continua por esclarecer

Assinalam-se hoje (27/05/2002) vinte e cinco anos sobre a intentona de golpe de Estado de 27 de Maio de 1977, quando um grupo encabeçado por Nito Alves insurgiu-se contra a direcção de Agostinho Neto, no que resultou num banho de sangue de parte-a-parte e de cujas consequências o país ainda sofre nos dias correntes.

Vinte e cinco anos depois, a actual direcção do MPLA faz “mea culpa” e atribui os acontecimentos do 27 de Maio a uma “inadequada apreciação dos fenómenos políticos, económicos e sociais da época”. Acredita ainda o MPLA que “a reacção a esta acção, levada a cargo pelas competentes instituições para restabelecerem a ordem, comportou também exageros, determinados (…) por excessos de zelo dos seus principais agentes”. Os sobreviventes do 27 Maio reunidos na Fundação com o mesmo nome sentiram-se defraudados e irritados com a declaração do Bureau Político do MPLA sobre esses excessos verificados quando da condenação dos alegados cabecilhas da intentona golpista.

Os conhecidos fraccionistas ou nitistas preferem acreditar que se trata do primeiro passo para que o governo tenha a hombridade de explicar e explicar-se sobre o que se passou e o que foi de facto o 27 de Maio. O porque de tamanha matança, pois esta estendeu-se até Março de 1978, altura em que terão sido mortos os últimos 200 homens.

Silva Mateus, presidente da Fundação 27 de Maio que prometera um discurso com inúmeras revelações, acabou envolvendo-se em respostas à declaração do BP do MPLA recorrendo a história. Recordou então que em 1992 o Partido Renovador Democrático (PRD) , do qual era membro, escreveu ao Presidente da República, solicitando explicações sobre o paradeiro de 30 mil pessoas presas em Maio de 1977.

Na sua resposta o Presidente terá dito que os principais mentores do golpe de estado, isto é apenas onze pessoas, teriam sido julgadas condenadas e fuziladas.

Aqui há uma mentira grosseira, porquanto nós nunca assistimos a nenhum julgamento. Nito Alves e Zé Van-Duném não foram julgados porque se assim fosse todos nós teríamos conhecimento e teríamos participado, como testemunhas de acusação ou de defesa. Como mentores o documento resposta cita apenas onze nomes; Nito Alves, Ze Van-Dunem, Bakalof , Siannouk , Sita Valles , Luís Kitumba, Pedro Fortunato, Mbala Neto, Minerva, Juca Valentim, a declaração termina dizendo que os outros desapareceram das cadeias.

Das trinta mil pessoas que nós questionavamos só onze foram supostamente julgados, condenados e fuzilados” afirmou.

Nesta altura o documento do governo afirmava partilhar da preocupação dos sobreviventes, parentes e amigos das vítimas advogando a criação de uma comissão que deveria completar esclarecimentos e informações prestadas na altura e de ver resolvidas as questões daí decorrentes, só que até ao momento nada foi feito, nem criada a aludida comissão.

Hoje passados 25 anos os sobreviventes do “Holocausto de 27 de Maio” pretendem enterrar os seus e fazer o tradicional óbito, já que na altura não era permitido a ninguém tal prática e caso o fizessem corriam o risco de cadeia e morte.

Sem pretensão de perseguição, assassinato e outras práticas, os membros da Fundação 27 de Maio não abdicam do pedido de desculpas públicas pelo MPLA e governo nem do levantamento de um monumento que simbolize o enterro de todos os mortos.

A fundação não se coibiu em citar alguns nomes de alegados assassinos conhecidos e reconhecidos das mais de 30 mil vítimas não justificadas e que poderão em sã consciência fazer a sua mea culpa, pois caso contrário a política de reconciliação nacional que o governo leva a cabo não será eficaz se não for abrangente e inclusiva da qual se contam os nitistas.

Se o estado, o Mpla e o seu governo corajosamente deram esse passo pedimos para que dêem outros passos, mais longos, nomeadamente a abertura do dossier 27 de Maio de modo a pôr fim o mito que ainda hoje existe.

Afinal o que aconteceu em 27 de Maio… eu tenho a minha versão e cada um tem a sua versão. Precisamos aqui de criar esta comissão para que se reponha a verdade , para que se saiba de facto o que é que aconteceu e porquê aconteceu. Hoje já é tempo e demos o pontapé de saída.

Nós os nitistas no seio do Mpla, os fraccionistas escorraçados batidos, encarcerados e mortos abrimos aqui o dossier 27 Maio denunciando alguns nomes dos nossos matadores, eles andam ali: Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos(Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, todos esses são matadores e a lista continua, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso da Unicargas, Tony Marta, Wadjimbi, Kama Keto, Cunha , Saturnino, Pitoco, Osvaldo Inácio, capitão Muatchianvua o Adelino de Almeida, Mainga, Tchizainga, Evadi, Loroy, José Maria, Carual, motorista de Iko Carreira, Kandanda oficial de campo de Iko Carreira, Domingos Cadete o Muxima, João Job, Ngambá, Bota de Zinco o celebre matador da CR do São Paulo, Manino, Beirão, Gaspar, Viking, Diogenes , Jaime Feliz Bagorro, Armando Fundanga, Jacare da Disa, Manuel Berenguel da RNA, Domingas da família Mingas, a primeira mulher da lista, Jitoeira, Carmelino da judiciária, major Kanhangulo de Malanje e tantos outros de uma série da lista que iremos publicar” afirmou ainda Silva Mateus.

Segundo Silva Mateus a sua Fundação estava a espera de ouvir do MPLA a criação da comissão, a responsabilização do Estado e do próprio MPLA pela matança verificada e outras, porque de contrário estas pessoas que foram citadas poderão ser alvo de retaliação.


27 de Maio - 25 anos

Fonte: Ebonet


Sugestões

7 Respostas

  1. Sandra Teresa Moreira diz:

    Estou estupefacta ao ver mencionado o nome de um grande Homem. Manuel Berenguel. Não acredito que possa ser visto nessa perspectiva. NUNCA. Conheci-o muito bem. Tinha valores, princípios fundamentais,base para agir por uma sociedade justa, livre e sem esse tipo de atitudes.

    Morreu jovem, morreu um grande lutador desse país “livre”.

    PAZ á sua alma.

  2. Cláudio Berenguel diz:

    Olá Sandra Moreira.
    Sou filho do Manuel Berenguel ,meu pai realmente não foi um dos matadores do Nito Alves ,Meu pai era jornalista e nessa altura soube da trágica morte do Nito Alves e foi para o local como outro jornalista teria o feito.É difamatório e demonstra falta de conhecimento de factos evidentes do difamador em questão , talvez ignorância política e falta de ética ,por motivos pessoais e por respeito ao meu pai,não direi mais nada a respeito deste assunto.
    Mais quero dizer que essa pessoa deve tirar o nome do meu pai desse bolo e respeitar quem não se pode defender de tais mentiras.

    Sei do que se passou pela 2ª pessoa ,a minha mãe ,
    sabemos realmente que não fez parte de tal massacre.
    Talvez dentro em breve eu venha a processar essa ave rara.

    Saudações cordiais

    Cláudio Berenguel

  3. guilherme diz:

    sempre fui e sou contra a julgamentos sem direito a defesa mas em angola o governo portugues foi o maior culpado primeiro nao soube entregar angola como deveria era melhor um ruim acordo do que terem andado 14 em guerrilha meu deus faziam um acordo que era bom para todos

  4. lucas diz:

    saber não oucupa lugar

  5. guilherme diz:

    o sr lucas claro nao deve ser angolano,mas tudo passou só espero que o povo angolano que sempre foi muito alegre e respeitador espero que tudo seja descuberto e que o povo tenha paz e seja respeitado e que a vida do povo melhor muito porque está na hora.

  6. guilherme diz:

    tú lucas nem sabes escrever deves pagar por isso ou seja deves ter o emprego que tú meraces ok saúde e muitos anos de vida para ver se dá tempo para seres educado.

  7. Gassan Miranda diz:

    diria que para tudo tem um porque,é verdade que dentre varios nomes aqui citados faria menção a de Nito Alves claro é a ele aquem devo tanto respeito por isso digo que os rebeldes tarde ou cedo ao pagar por tudo quanto fizeram. one love

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