Plataforma 27 de Maio suspende participação nos trabalhos da CIVICOP

Plataforma 27 de Maio suspende participação nos trabalhos da CIVICOP
Plataforma 27 de Maio suspende participação nos trabalhos da CIVICOP

1. A “Plataforma 27 de Maio”, constituída pela Associação 27 de Maio, Associação M-27 e o Grupo de Sobreviventes do 27 de Maio, deliberou, por unanimidade, na sua reunião extraordinária de 7 de Março 2021, suspender a sua participação nos trabalhos da CIVICOP.

2. Concluiu a Plataforma que o Governo e o MPLA (que têm uma posição de domínio na CIVICOP), longe de procurarem um caminho de verdadeira RECONCILIAÇÃO NACIONAL, optaram pela recusa da VERDADE HISTÓRICA e pela construção de PROPAGANDA a seu favor, para branquear a imagem, não estando interessados em apreciar sequer os pedidos que foram apresentados pelos representantes das vítimas.

3. Em 23 de julho de 2020, a Plataforma 27 de Maio solicitou à CIVICOP a realização de uma reunião extraordinária para apreciar os seguintes pontos, para integração nos trabalhos da CIVICOP:

a) Que se procure a Verdade Histórica, com uma investigação isenta e célere;
b) Que seja definido como objetivo a identificação dos responsáveis pelos crimes cometidos, única forma de se saber a quem se perdoa, na sequência de um pedido prévio de perdão;
c) Que os agentes da repressão que praticaram crimes deixem de ser considerados “vítimas”, pois, a obediência a ordens ilícitas e violadoras dos Direitos Humanos, não constitui, causa de justificação do crime praticado;
d) Que se defina como objetivo central da Comissão de Averiguação e Certificação dos Óbitos, a localização dos restos mortais das vítimas, a sua certificação pelo teste de ADN, a emissão das respectivas certidões de óbito, onde conste a data e causa da morte, e por fim, a sua devolução às famílias”.

4. Não foi dada qualquer resposta a este pedido, embora o Coordenador CIVICOP e Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos nos tivesse dito que iriam analisar e ponderar os pedidos, fazendo acalentar a esperança de que, com o prosseguimento dos trabalhos, seria possível uma efetiva ponderação e acolhimento, ainda que parcial, dos pontos apresentados pelos representantes das vítimas.

5. Torna-se patente, não apenas pelo decurso de tempo, como, sobretudo, pelo conhecimento da ata da reunião de 8 de janeiro e restantes documentos, agora distribuídos, que a CIVICOP persiste naquilo que chama “modelo Angolano de reconciliação”, que mais não é do que a ausência de qualquer modelo de justiça transicional, preferindo antes colocar as vítimas e algozes na mesma posição, ignorando a busca da Verdade Histórica e as recomendações da União Africana (de que Angola faz parte) sobre a metodologia a desenvolver nos trabalhos.

6. Considera a União Africana que, em caso de atrocidades, violações graves de direitos humanos, crimes contra a humanidade (como os que foram cometidos no 27 de Maio) deve haver identificação dos responsáveis e um pedido de perdão efetivo, rejeitando-se a impunidade pura e simples.

7. A ata e os restantes documentos recebidos contêm conclusões que não correspondem aos temas abordados, refletindo apenas a visão do Executivo. São permanentemente trocados nomes das organizações representativas dos sobreviventes e órfãos, semeando a confusão, apesar de previamente e repetidamente terem sido alertados para essas incorrecções. Os referidos documentos não espelham qualquer sinal de atendimento das propostas já remetidas pelos sobreviventes e órfãos à CIVICOP.

8. Em consequência do exposto, recusamos continuar a participar neste simulacro de Reconciliação, enquanto não forem adoptados verdadeiramente os princípios e mecanismos de JUSTIÇA TRANSICIONAL, definidos pela União Africana em documentos daquela organização.

9. Impõe-se que o Sr. Presidente da República, João Lourenço, assuma a decisão de imprimir uma nova orientação à CIVICOP, de forma a que esta seja o veículo para uma verdadeira RECONCILIAÇÃO que a Nação Angolana exige.

10. Em anexo, segue um Memorando sobre as deficiências graves da CIVICOP e o caminho a seguir.

 Luanda, 11 de Março de 2021


PLATAFORMA 27 DE MAIO
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27 de Maio - 44 anos
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Sugestões

1 Response

  1. Baldino diz:

    É ligado o trabalho difícil e complexo da civicop, o meu pai também é foi vítima dos conflitos em 89 no bairro chocava a leste do Kuito Bié e até hoje a família não teve o corpo, foi 2°Tenente das FAPLA, sabemos onde está enterrado os seus colegas estão dispostos irem até lá pra fazer a exumação das ossadas .Por isso pedimos a ajuda da civicop.

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