Rui Coelho – Um Retrato

Nasceu na Catumbela, viveu no Lobito, brincou nos mangais, cresceu, estudou no Compão, fez a Universidade em Lisboa, ensinou em Luanda. Voltou ao Lobito para casar. Amou Angola. Nunca chegou a conhecer o filho. Da sua execução não se conhecem local, data ou circunstâncias. Tinha 25 anos. Sobrou uma certidão de óbito, lágrimas, saudades e revolta.

O Rui Coelho, familiarmente conhecido por Zeca, era o terceiro de seis filhos. Nasceu em casa, na Catumbela (República Popular de Angola), a 31 de Março de 1952. O Bilhete de Identidade registava, contudo, como data de nascimento, o dia 21 de Março.

Na memória familiar, ficaram os seus bonitos caracóis loiros – cortados pelo mano Luís, inspirado por algum cabeleireiro, com enorme desgosto da mãe: não tinha havido oportunidade de uma fotografia que os fixassem para a posteridade…!!!

Antes da escola primária, feita no Colégio Manuel de Arriaga (à época, localizado no antigo mercado do Lobito), frequentou a pré – primária nas Madres Doroteias. Que, na altura, ele próprio descrevia como “umas meninas de brincar como as outras, que depois se vestiam de bruxas e iam para madres”. Um comentário tecido perante a mãe, quem sabe… a tentar justificar uma mordidela no rabo (ou terá sido na mão?) de uma das freiras. Episódios familiares…

Apesar de ter nascido na Catumbela, a maior parte da infância e adolescência viveu-a no Lobito. Os mangais por detrás da antiga 28 de Maio (ainda não existia a rua 15 de Agosto) eram o paraíso da garotada. Aí se apanhavam os caranguejos que eram trazidos para casa (no antigo prédio do Figueiredo, ao pé da Robiallac) como se de cachorros se tratassem: amarrados numa das patas com um cordel eram transportados à trela pela miudagem, e lá estava o Zeca… O futebol e o jogo do arco (com os aros dos barris da mercearia do pai) foram outras das suas brincadeiras de infância.

Desde muito cedo que manifestou o seu gosto pela leitura. Na casa da família o acesso aos livros era fácil, não havia proibições, era possível ler de tudo: clássicos da literatura portuguesa e estrangeira, atlas, histórias aos quadradinhos, livros mais científicos como a farmacopeia – a mãe era farmacêutica e, com o pai, co-proprietária da Farmácia Lobito. Tudo era “devorado”, Camilo Castelo Branco, Rip Kirby, Eça de Queirós, Ene 3, Karl May… e muitos outros livros emprestados ou deixados em casa pelos muitos amigos.

A curiosidade natural e a inteligência do Rui foram ainda mais espicaçadas pelas histórias (e os sempre oportunos remoques e observações) da mãe e pelos passeios, idas à praia, viagens e cantorias proporcionadas pelo pai. As idas ao Cubal, à Ganda, ao Cavimbe, a Novo Redondo ou a Benguela constituíam-se em verdadeiras aulas de Botânica e Zoologia, sempre estabelecendo pontes e relacionamentos com a fauna, flora e geografia de Portugal ou de outras partes do mundo…

As surtidas à Fazenda Agrícola da Lunda, propriedade da firma Simões Coelho de Benguela (onde o padrinho era funcionário), proporcionaram-lhe contacto com a realidade da vida nas fazendas e com a caça (capotas, gulungos, cabras do mato etc.). Amândio Ribeiro – gerente da fazenda, grande amigo da família, excelente caçador e bom contador de histórias – juntamente com a sua esposa, D. Helena, proporcionaram-lhe férias inesquecíveis. Quase tão inesquecíveis como aquela ida à fazenda do Cavimbe, propriedade de José e Cândida Marques: A Bela, a Teresinha e o Rui Marques, filhos desse casal amigo dos seus pais ficariam como companheiros quase fraternais da infância do Rui Coelho.

A estes, teríamos de juntar outros, como o Mandito e o Rui (filhos dos seus padrinhos de baptismo, D. Adelaide e Sr Licínio Barata, de Benguela) que juntamente com os Portela Marques, constituiriam algumas das amizades que ele iria preservar ao longo do tempo.

O liceu, começou por frequentá-lo ainda ele funcionava na Associação Comercial do Lobito e, a partir do 5º ano, já no edifício novo do Liceu Almirante Lopes Alves, no Compão. Desses tempos ficou a recordação dos relatos cheios de sentido de humor – feitos pelo Rui e seu mano Luís, sobre as aulas do professor de Físico-Química, carinhosamente apelidado pelos alunos de “Barbeiro” – que tornavam os jantares em família num delicioso divertimento. Um sentido de humor também condensado naquela resposta a uma determinada professora quando, sendo-lhe perguntado o nome, responde: Rói Jorge Pratos de Massa Cotovelo (em vez do Rui José Pinto de Matos Coelho que lhe tinha cabido em sorte na pia baptismal).

Já nesta fase da vida ele começava a evidenciar capacidades de liderança à mistura com uma personalidade forte. Recorde-se aquela vez em que, nomeado chefe de turma e depois de uma aula onde os colegas se terão portado menos bem e sujado a sala, a Directora de Ciclo lhe ordena que limpe aquela sujidade. Recusa-se, dizendo que não tinha sido ele a sujar e que era Chefe de Turma e não varredor…!!!

O liceu é também tempo de novas amizades, já fora do círculo de relações da família: o Tá–hy Viana, a Mila “Brasileira”, o Vasco e a Elisa Afonso, o César, o Castelão, o Patoilo, o Filipe Campos e o Filipe Nascimento engrossam o lote dos seus amigos. E é também no liceu que conhece aquela que (mais tarde, em Abril de 1975) passará a ser a sua mulher: a Mila Ferreira, conhecida lá por casa como Mila 18, numa referência a uma personagem de um livro de Leon Uris.

Com o mano Luís e os amigos Filipes, participava nos vários concursos promovidos por programas do Rádio Clube do Lobito. Eram noites divertidas em que os almanaques de casa voavam ao sabor das perguntas. E vai acumulando vários prémios, nomeadamente um conjunto de cadeiras de varanda, com a sua deliciosa espreguiçadeira…adereços que passaram a adornar a varanda da casa dos pais…

Constituiria (com o Gil, O Fililipe C. e o Castelão) o grupo Aquela Máquina que manteve uma intervenção activa na área da crítica musical através dos textos difundidos na rádio. Ficou conhecido em boa parte de Angola (graça às emissões de onda curta) e apresentava a particularidade de a identidade dos seus componentes permanecer, durante muito tempo, desconhecida. Da escuta das emissões internacionais de diversas rádios, retiravam a informação que lhes permitia sustentar a referência ás correntes e aos grupos musicais mais avançados do momento.

Nas férias, com o Luís Coelho e com os Filipes, ajuda o pai na farmácia e na mercearia. O resto do tempo livre era gasto com passeios à volta do Mercado, com as jornadas de ping-pong no Lobito Sports Club, sem perder, à noite, o Cine-Esplanada Flamingo. Claro que, antes da ida ao cinema, havia que fazer sempre uma incursão pela pastelaria Áurea. A apetência fílmica vai desenvolver-se durante os tempos de faculdade, com o gosto pela sétima arte a ser cimentado pelo acesso mais fácil aos “Cahiers du Cinéma”.

Muitas vezes, depois da ida ao cinema, vinham as caçadas nocturnas na estrada Lobito–Luanda, nas chamadas anharas de Novo Redondo. À companhia do irmão e dos Filipes acrescentava-se o Patoilo e lá vinham as caçadas de estrada com o tal farolim – que mais tarde viria a ser banido mas que naquela altura estava muito em voga! E tudo acabava em grandes patuscadas com os amigos. As mães é que achavam menos graça devido ao trabalho suplementar que tais façanhas lhes acarretavam.

Era durante as férias que se juntavam todos nos acampamentos na Ponta da Restinga. Tempo de convívio e divertimento, mas também de afirmação de necessidade de autonomia e independência. Para os irmãos mais novos, então, era um deslumbramento: entre as emoções de preparativos e montagem e as histórias de contar noite fora…

O gosto pela língua inglesa desenvolveu-o no liceu. O facto de viver numa cidade portuária e cosmopolita permitiu-lhe treinar a conversação com estrangeiros que aí chegavam e aprofundar o treino da escrita com os correspondentes que foi arranjando e que o ajudaram ainda a enriquecer a sua colecção de selos, naquele que foi outro dos seus hobbies: a filatelia.

A formação católica, inculcada pela mãe, vai conduzi-lo, nesta fase da vida, à JEC (Juventude Estudantil Católica). Os padres D. Celso e Jorge deixaram marcas profundas nos jovens que acorriam à sede da JEC, na Rua 28 de Maio. Aí o Rui Coelho vai complementar a sua formação religiosa, participar em encontros de jovens, acompanhar as visitas aos hospitais e visitar os detidos na prisão. Alguns anos mais tarde virá, porém, a pôr em causa o papel da Igreja e afastar-se-á das práticas religiosas.

Mas a JEC servia também de ponto de encontro dos jovens e de ocupação dos tempos livres. Conversava-se, jogava-se ao monopólio e à sueca e organizava-se a biblioteca. É aqui que desenvolve o gosto pelo xadrez. O amigo Calicas ensina-o e incute-lhe o gosto por este jogo. Consultando livros, estuda os diferentes tipos de aberturas possíveis num jogo de xadrez. Torna-se um bom jogador. O Calicas nunca mais lhe consegue ganhar um jogo. De referir que, para ele, os livros lhe permitiam aprender tudo, inclusive a dançar: quando decide que quer aprender a dançar o Twist, a Valsa ou o Tango, compra um livro… e durante uns tempos dedica-se à aprendizagem da dança, transformando em cobaias os irmãos mais novos…

O Rui era estudioso (estudava falando alto e andando de um lado para o outro), inteligente e bom aluno. Tantos e tão diversificados interesses permitem-lhe também que todo o seu percurso escolar seja feito de uma forma fácil e sem percalços. Aliás, com um pequeno percalço: o do Latim no 7º ano – rapidamente superado com umas explicações nas férias. No exame de segunda época obtém, facilmente, 19 valores!

No ano lectivo de 1969/1970, vai para Lisboa, para fazer o curso de Direito. Os primeiros tempos são de adaptação: à faculdade, ao lar universitário (no Lumiar), aos almoços e jantares nas cantinas universitárias e ao clima. Estranhou, sobretudo, o frio. Nas férias do Natal (em casa dos avós, na Beira Alta, ao pé da serra da Estrela) dorme, por vezes, de sobretudo.

Em Lisboa ele reencontra antigos amigos de Angola, faz novos conhecimentos, trava novas amizades. A Portugal tinham chegado os ecos do Maio de 68, os movimentos estudantis em Coimbra e Lisboa transportavam ventos de mudança e renovação, vivia-se em plena fase de lutas académicas, a Oposição Democrática faz campanha nas eleições para a Assembleia Nacional mas não se apresenta às urnas, denunciando o estado de Ditadura e a burla eleitoral.

Nos finais de 1970 a mãe vai de licença graciosa a Portugal (com os filhos mais novos). Aluga um apartamento no Campo Grande: saía mais barato ter os filhos, que estavam na Universidade, todos juntos numa casa do que cada um em seu lar. E como o apartamento ficava muito próximo das faculdades de Direito e Letras, o Rui e a irmã mais velha nem precisavam sequer de utilizar transportes. Nessa altura, o mano Luís, que frequentava Engenharia em Luanda, vem também para Portugal.

E a casa do Campo Grande estava situada num ponto estratégico: mesmo ao lado da Residência Feminina das Estudantes Ultramarinas, e a uma centena de metros da “Gôndola”, café de longas conversas e de encontros de muita gente ligada a África e que, frequentemente, era local de refúgio de estudantes em debandada à frente dos cavalos da Guarda Republicana nas manifes da Cidade Universitária. Ao lado do café, a antiga barbearia dera lugar a uma tabacaria com livros… Aí se conseguia – às escondidas – encomendar quase tudo. Não espantava, por isso, que o apartamento do Campo Grande começasse a abarrotar de literatura sobre a guerra do Vietname ou as lutas na Irlanda, à mistura com os livros sobre as revoluções na Rússia ou na América Latina, os poetas de Libertação africana… E o quarto dele vai-se forrando com os posters de Ho Chi Min e de Che Guevara.

São tempos de grande companheirismo, entre as noites no “Apolo 70″ ou até às tantas na “Alga”, tempos dos Festivais de Jazz em Cascais, com música e polícia de choque à mistura, a espiral frenética dos meetings, dos plenários, dos concertos improvisados com Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, mas são também os tempos do culto do cinema, da casa sempre inundada de gente e envolta numa imensa nuvem de fumo de cigarro, com intermináveis discussões políticas entremeadas de partidas de xadrez… Nos intervalos… havia as aulas da Faculdade e os exames que sempre foi cumprindo. Quando regressou a Angola, em 1973, só lhe faltava uma ou duas cadeiras para terminar Direito. Instalado em Luanda, inicia uma carreira de Professor. Casa-se em 1975.

Em Outubro de 1975, a mãe e os irmãos mais novos vêm para Portugal. O Rui fica em Angola – só o voltaríamos a ver em Junho de 1976, já nessa altura cidadão Angolano ao serviço do Ministério da Administração Interna (Gabinete de Estudos). Chegou bastante magro, instalou-se de novo no Campo Grande com a família. Foi a última vez que esteve com a mãe e os irmãos. Foi a última vez que o vimos.

Quando se dá o 27 de Maio, ficámos alarmados com as notícias do que se estava a passar em Angola. Mais alarmados ficámos quando começámos a ver a fotografia do Rui nos jornais. Não queríamos acreditar no que se estava a passar, nem nas acusações de que era alvo o Rui, que tinha querido ficar em Angola porque a amava e a queria ajudar a construir. As comunicações entre Lisboa e Angola eram muito complicadas, frequentemente quase impossíveis: não conseguíamos falar para o Lobito onde estava o pai do Rui, não conseguíamos falar com a Mila Ferreira.

Um dia, finalmente, conseguimos contactar uma pessoa amiga que vivia em Luanda. Não nos queria dizer nada, sentia-se-lhe o medo na voz, não podia falar… Tempos difíceis, tempos de ansiedade, de angústia, de desespero aqui e ali pontuados com alguma réstea de esperança no meio de indicações tão contraditórias…

A mãe escreve uma carta à mulher do então Presidente da República Portuguesa com o objectivo de ela interceder junto do marido para buscar informações e apoiar se necessário uma actuação em defesa de Direitos Humanos. Escreve também à Cruz Vermelha Portuguesa solicitando informações. Porque, até nós, só chegavam boatos dizendo que ele estava na prisão A, tinha sido visto na prisão B ou já fora transferido para a prisão C…

Depois de meses de solicitações, de pedidos, de insistências várias, a única informação oficial que obtivemos veio através de um frio telegrama da Cruz Vermelha Portuguesa: aí se anunciava, de forma crua, que ele estava morto. Ninguém queria acreditar. A mãe não se conforma. Recusa-se a aceitar a notícia do assassínio do seu filho… Em 1977, ele, quase advogado e defensor de causas, preso, sem culpa formada, apresentado como suspeito de delito de opinião, condenado à morte sem direito a defesa ou a julgamento justo??? Ele, que nem se encontrava em Angola aquando do 27 de Maio???

Recusámo-nos a acreditar e aceitar, até que recebemos a notícia (já em 1978), de que se tinha conseguido obter uma Certidão de Óbito que referia a sua morte. Ironia do destino, neste capítulo até fomos privilegiados: alguns dos desaparecidos no 27 de Maio nunca conseguiram qualquer documento que comprovasse a sua execução!!!

Durante muito tempo não fomos capazes sequer de dar a notícia à nossa mãe. Foi a Mila, a filha mais velha, que o viria a fazer. E jamais poderemos esquecer os gritos, as lágrimas e a dor de uma mãe quando recebe a notícia de que o seu filho foi assassinado, sem que nada (nem ninguém) o pudesse explicar e, muito menos, justificar.

No meio de toda aquela dor, de todo aquele desespero, apenas a boa notícia, a alegria de sabermos que o nosso pai, o Coelho da farmácia Lobito, consegue trazer o Ruca Tukayana (filho do Rui Coelho, e já então com seis meses), para Portugal, para a segurança e o carinho da restante família.

O desespero, a não aceitação dos factos, a impossibilidade de se saber em concreto o que se passou, tornam-nos ainda hoje extremamente difícil esta narrativa. É difícil falar da dor… mas ainda é mais difícil falar de uma coisa que não se entende nem se compreende. Porque foi morto o Rui, ele que nunca atentou contra ninguém? Que não pode ser acusado de crimes de sangue ou de actos de violência fosse contra quem fosse…???

Continua a ser difícil falar disto tudo. Mas estamos num tempo em que é necessário e urgente saber-se o que se passou. Exigimos que as circunstâncias do seu assassínio sejam esclarecidas e que os seus responsáveis sejam encontrados. Se Angola quer abraçar os princípios da convivência internacional não poderá escusar-se às regras de investigação dos Tribunais Internacionais. E nós, irmãos (os pais já faleceram) exigimos saber o que aconteceu (e como aconteceu) porque nada poderá justificar o assassínio do Rui Coelho.

Ele estará sempre na nossa memória, no nosso coração. Aquela saudável teimosia, aquela viva inteligência, o gosto pela leitura, pelo cinema, pelo xadrez e pela filatelia, a curiosidade e o interesse pelas questões sócio – políticas e pelo mundo à sua volta, aquela sede de vida e de amizade, aquele carácter carinhoso… não, não esquecemos… nem perdoamos!

Não há vidas sem história. E esta é a história de uma vida: curta, precocemente interrompida, ceifada de forma cruel, cobarde, à margem de todo o Direito Internacional e contrariando todos os princípios de defesa dos Direitos Humanos. Um crime inominável que lhe roubou a vida e com o qual todos perdemos: perdeu Angola que ele amou e por quem trabalhou e lutou, perderam os pais e irmãos, perdeu a mulher e o filho que ele nunca chegou a conhecer.

Este pequeno retrato foi feito a várias mãos. Teve o contributo das informações, das opiniões e dos relatos dos amigos (mais ou menos próximos) e dos familiares. Ele constitui, sobretudo, uma pequena homenagem a um jovem idealista e generoso, que lutou por um mundo mais justo e melhor, que lutou, em suma, pelos seus ideais.

27 de Maio - 28 anos

Maria da Conceição Coelho
(irmã)

Sugestões

21 Respostas

  1. Filomena Frias diz:

    Com um nó muito grande na garganta e muitos piquinhos nos olhos creio que justiça será feita mais cedo ou mais tarde. Para ti São, um abraço muito apertado.
    Filomena

  2. Margarida Nabais diz:

    Como é possível que estas coisas aconteçam? Onde vamos nós buscar a coragem necessária para andar para a frente quando situações destas nos tocam de forma tão próxima? É um mistério (tal como a morte!).
    Parabéns pelo artigo e pela coragem!
    Acredito que a persistência será compensada.
    Beijinhos. Margarida

  3. Filipe Campos diz:

    Às vezes mexer no passado é muito doloroso mas também é necessário.
    Sobretudo é preciso ter coragem…
    Valeu São

  4. Luísa Rufino diz:

    Obrigada por teres escrito a história do tio Zeca,é bom saber finalmente quem foi. Espero que se venha a saber o que realmente aconteceu, embora isso nunca venha a secar as lágrimas que muitas vezes vejo nos olhos da minha mae e que todos vós choram ainda.
    Beijinhos
    Luísa

  5. Dina Menezes diz:

    Pensar e (re)viver aqueles “nossos” que partiram é, sem dúvida, um modo quase-alegre, quase-feliz de os trazer de volta a nós, às nossas vidas … às suas vidas! Mas isso não impede, nem atenua, a dor da partida, a saudade na ausência. Parabéns pela coragem. Um abraço imenso.
    Dina

  6. Mário do Lobito diz:

    Com muita pena que leio todos esses comentários. Mas o que é que vamos fazer oh povo angolano? O MPLA continua no poder, a matar quem se põe à frente, os assassinos estão vivos e nós sabemos quem são. Como irá Angola daqui a mais 20 anos? Se o sistema ainda existe. Lamentamos, que Deus ajude os que ali ainda estão, de certeza que são vitimas do sistema mplalismo, morre quem fala sobrivive quem é currupto. Forrrçççaaa Angola

  7. Maria Manuela Santos diz:

    Conceição,
    Li o teu artigo e o da tua cunhada e, apesar de não o conhecer, admiro-o. Mas admiro-vos a vocês pela coragem e força. Penso que cada vez mais todos os injustiçados, os que estão contra as arbitrariedades dos que se julgam grandes se devem unir e exigir que a justiça seja reposta.
    Li algures o Pai-Nosso do Missionário “…e não nos deixeis cair em tentação de cruzar os braços por egoísmo, por medo ou por preguiça…”
    Um abraço grande,
    Manuela

  8. Alfredo Ribeiro diz:

    São:
    Li atentamente os comentários acerca da morte do teu irmão! Lamento bastante! Conhecemo-nos bem, bem como eu a ti. Gostaria de ter noticias tuas! Se puderes contacta o email acima citado !
    espero noticias tuas.

  9. Luter diz:

    Os meus pêsames à familia. Obviamente, esta história deve ser contada e os culpados julgados! Por homenagem a quem morreu bem como a familia. Só é pena que o tempo passe e continuamos na mesma. Daqui a nada já não há ninguem que viveu a historia e a pode contar. Daqui a nada ate os culpados morrem e, mais uma vez, ganhará a impunidade!!

  10. Luís Rocha diz:

    Eu estava em Angola durante este período. Não o conheci mas ouvi falar muito no vosso irmão. Fiquei com a ideia de que se tratava de um homem culto e de convicções políticas. Respeito-o por isso. Não o posso ver como um fraco a quem passaram por cima. É urgente que se peçam contas a quem deliberou a sua eliminação e que se possa reaver os restos mortais deste angolano para o poder enterrar de forma digna. Ele e o movimento que o engoliu fazem parte da história de Angola. Mas é urgente também que se conheça a história sobre este triste, violento e macabro 27 de Maio. Afinal de contas o 27 de Maio foi uma tentativa de golpe de estado que, se tivesse vingado, a julgar pelas indicações dos nitistas (nos meses que precederam o golpe)aos professores dos ciclos e secundário para preparar a juventude (!) sobre a necessidade de se afastar os dirigentes angolanos que se estavam a afastar do rumo revolucionário, as barricadas nas ruas, montadas na manhã do dia 27, pelos nitistas e as mortes cirúrgicas dos elementos do governo angolano de então,poderia redundar numa nova praga (agora em África). Neste conflito armado perderam alguns comunistas portugueses (que foram expulsos e não julgados)e parece que alguns soviéticos e seus lacaios do leste.Creio que o vosso irmão não pertencia nem a uns nem a outros…seria apenas um pensador angolano revolucionário que se prestou a ajudar (com as suas ideias) estes estrangeiros. A eles se devem também pedir satisfações.

  11. José Makiesse Lukoki diz:

    Onde anda o Ekuikui, doente mental. Sr Ekuikui, que gosta tanto de proclamar uma raça, uma nação, devia ler este comentário e ficar a saber que no 27 de Maio também morreram brancos e mulatos. Todos aqueles, que não conhecem a verdadeira essência do 27 Maio, que acusam os mulatos e brancos sem fundamentos deviam estar calados. Mas, o que mais me deixa descansado é que todos estes frustrados como o EKUIKUi, não vivem em Angola, não conhecem a realidade angolana, não sabem que Angola é e será por vontade própria um país multi-racial e multicultural, não sabem que Angola é o único, mas o único país onde todas as raças conseguem conviver pacificamente, até agora os chineses já dançam Kuduro nos musseques. Isto é Angola… EKUIKUI, VOLTA PARA O ÚTERO DA TUA MÃE.

  12. Carlos João diz:

    SR. Jose Makiesse Lukoki TENHA O MINIMO DE RESPEITO PELOS QUE DESAPARECERAM, E VAI PROFERIR AS SUAS OFENSAS NOUTRO LUGAR.

  13. Fernando Sequeira diz:

    Não nasci em Angola nem sequer tenho nada a ver com África. Casei com uma mulher de origem africana e conheci um senhor, amigo da minha mulher, que é piloto-aviador, que estava em Angola na altura e que aderiu ao MPLA, e que me afirmou ter lançado de avião centenas de corpos na selva africana, vítimas de fuzilamento nesta data.
    Estes jovens fuzilados só morrerão quando nós nos calarmos. Porque o nosso silêncio é que é a morte deles.
    A história tem a obrigação de julgar os criminosos. Até agora não o fez. Poucas são as vozes que são capazes de denunciar estes crimes contra a humanidade.
    Não é a mim que cabe esta tarefa. è a própria sociedade angolana que tem essa obrigação.
    Porque ela neste momento vive algo similar.
    NINGUÉM MORRE EM VÃO.

  14. José Costa diz:

    Como todos jovens que fomos um dia, é cruel sermos idealistas e ingénuos. Somos utilizados por forças mais tenebrosas que possamos imaginar. Só podemos aceitar o que aconteceu se formos capazes de transmitir ás gerações vindouras o alerta constante da bestialidade do homem.

  15. Carlos Costa diz:

    É bom ver que a memória do 27 de Maio de 1977 não se perdeu. Graças ao excelente trabalho de pessoas como as que construiram este site, ou da Dalila e do Álvaro Mateus, a história do Rui Coelho e de outros como ele, vítimas do lado mau da condição humana, não morrerão. É preciso associarmos as histórias a pessoas para que as mesmas ganhem vida. E a história do 27 de Maio de 1977 conta-se pela história do Rui. Até sempre.

  16. Claúdio Nóbrega diz:

    Lembro-me do Rui Coelho, quando após o 25 de Abril, passavamos horas no balcão da Big Apple no Lobito, até alta madrugada, de um lado os que achavam que Angola seria em breve um país independente, do outro os que ainda tinham esperanças da redenção da raça com o apoio da África do Sul e da Rodésia! Bem o nosso grupo, inevitavelmente liderado pelo Rui Coelho, autêntica força da natureza,defendia as suas teses, que indiciavam de que lado é que estávamos, mas parece que nos enganamos, pois pelo 27 de Maio viemos a descobrir, alguns como o Rui Coelho, amargamente, de que ou corruptos ou inimigos de Angola! O 27 de Maio não terá sido a vitória da corrupção sobre os interesses colectivos do Povo Angolano? Tenho a certeza de que um dia se fará História!

  17. heitor feijo diz:

    tristeza, lagrimas nos olhos de um povo que chora com a familia. um homem que estava disposto a defender os intereces do nosso povo? sou angolano de 24 anos sinto muito e peço a deus que justiça seja feita

  18. Candida Brazao diz:

    Conheci o Rui em Angola em 75 e fui amiga dele ate a data do seu assassinio.
    Quero aqui apresentar as minhas condolencias a familia.
    Eu acho que se deveria exigir um inquerito nao so a morte do Rui mas aos acontecimentos do 27 de Marco de 77 e ao genocidio cometido pelas autoridades angolanas.
    Ninguem deve ficar impune e os tribunais internacionais deveriam colocar todos esses assassinos nos bancos dos reus.
    Eu sugiro que a Sao use forums como o Facebook e outros meios similares para publicar a historia do Rui e pedir apoio a populacao a nivel global. Tenho a certeza que milhoes vao aderir a esta causa. O Rui acretitava que o verdadeiro poder estava nas maos das populacoes e eu tambem acredito.
    Um abraco
    Candida

  19. Jorge Viana diz:

    Para um natural de Angola é sempre agradável ler e ver algo que faz parte da nossa memória, pese o facto de ter sido no site que recorda o meu ex colega e amigo.O Luís lembrar-se-à de quando me deram a cheirar um garrafão de Clorofórmio como sendo perfume.Cumprimentos para todos.

  20. Sandra Cabrita diz:

    Não conhecia o Rui soube desta historia atraves de uma procura sobre a rua Rui Coelho e ai é que fiquei a saber.As minhas condolencias á familia e são exemplos destes de coragem que os nossos jovens precisam para que tenhamos um mundo mais justo e melhor. E o filho do rui o que é feito dele?

  21. Augusto Rodrigues diz:

    Gostei de ler embora resumidamente esta resenha de vida de um lobitanga/catumbelense, ou vice-versa, como eu também.
    E gostei em particular da alusão ao tal professor de física, que conheci, aliás conheço bem. É engraçado frisar que esse professor só há cerca de cinco anos, em conversa um um ex-aluno, ficou a saber da alcunha de “barbeiro” com que era conhecido pelos seus alunos. Com razões de ambas as partes, é no entanto de salientar que o facto de desconhecer tal epíteto não será normal, e em conversa (surda) com ele, confessou-me que o intriga tal desconhecimento que tanto poderá ser justificado pela utilização por um pequeno número de alunos, pelo respeito que lhe era concedido ou por um medo injustificado. Quem sabe?
    Mas o meu comentário justifica-se pelo interesse que eu tenho em saber a data de entrada em funcionamento do edifício do Compão do Liceu Almirante Lopes Alves, e que não acompanhei por à data estar a frequentar a Universidade de Coimbra. Dado que tem referências a esse respeito pode-me dar uma ajuda?
    Ficaria grato.
    O “barbeiro”

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