Todos os anos, neste dia, lhe digo a mesma coisa

28.05.2008

Chamo-me Rui Tukayana.
Tenho 30 anos e nasci em Angola, quando esta já era uma nação livre e independente.

Do meu pai herdei o meu primeiro nome próprio: Rui. Ele chamava-se Rui Coelho.

Fruto do que aconteceu, faz hoje 31 anos, a minhã mãe escolheu o meu segundo nome próprio: Tukayana. Esta é uma palavra em tchokwe, uma língua angolana, e que quer dizer “venceremos”. Chamo-me, portanto, Rui Venceremos.

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CARTA ABERTA AO CHEFE DE ESTADO ANGOLANO

27.05.2008

Exmo. Senhor Presidente:

Ao sabermos do propósito de promover em Setembro próximo eleições legislativas, acontecimento há muito esperado, considerámos oportuno solicitar de novo, como achega a tão elevado sinal democrático, a sua atenção para a nossa pretensão que reclama pelo esclarecimento da verdade, desejo antigo e tão ansiado por larga fatia da sociedade angolana, que viu muitos dos seus desaparecerem na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Já vai longa a troca de acusações manifesta por sobreviventes, familiares dos desaparecidos e de outros participantes no processo ou por seus representantes. Reclamam-se todos de justiça e pela restauração da imagem e dignidades manchadas. Porém, se os primeiros apelam ao mais alto dignitário da nação para que promova a constituição de uma Entidade Independente dotada de poderes necessários para indagar o passado, dos outros há quem espere venha a ser o MPLA a dar explicações para o seu comprometimento, enquanto outros, integrantes do Partido e do Estado, estão dispostos a sugerir a investigação e recolha das evidências históricas como contributo para a busca da verdade sobre o que deveras ocorreu a 27 de Maio de 1977, privilegiando a acção daquele que foi, em última instância, o responsável por todos os gestos do Estado, o então presidente Agostinho Neto.

Senhor Presidente, volvidas três décadas de resignação e silêncios forçados, torna-se premente, que de forma decisiva nos conceda a sua indispensável cooperação para se desenvolver um trabalho sério e uma pesquisa rigorosa. E porque todos os processos têm um início, quem melhor posicionado que V.Exa., para proporcionar o acesso a toda a informação e documentação, abrir à investigação a consulta dos arquivos do MPLA e do Estado Angolano, permitindo válidas e esclarecedoras conclusões, como por exemplo trazer a público o resultado conseguido pela Comissão de Inquérito a que então presidiu por incumbência do B.P. do MPLA, conclusão essencial, pois dirá a forma e a medida da “implicação fraccionista”, que se dizia ter invadido o MPLA, os seus meandros e práticas, afinal para benefício de quem.

Senhor Presidente, se até aqui foi nosso propósito apelar do seu compromisso na prossecução desta tarefa que propõe restabelecer a verdade na história de Angola e na do MPLA, de onde o “27 de Maio de 1977″ não pode ser arredado, vamos arriscar de novo sensibilizá-lo para que atenda anteriores pedidos que, uma vez satisfeitos, engrandeceriam a Nação e dignificariam o seu Presidente. Já passaram mais de trinta anos e ainda não foram entregues as certidões de óbito que atestem a causa da morte de inúmeros cidadãos. Conhecer os locais onde se encontram os seus restos mortais, proceder-se à sua exumação e sequente entrega às famílias para que estas procedam ao seu digno funeral, seria um gesto de enorme humanidade.

Tendo sido criada por iniciativa de V.Exa. uma “Comissão Multisectorial”, um projecto que visa valorizar e divulgar figuras históricas angolanas, no intuito de fortalecer a unidade nacional e que terá competência para conceber e edificar estátuas e monumentos históricos, permita-nos desde já que possamos candidatar como figura histórica digna de tal merecimento, todos aqueles que pereceram na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Afinal, das mais faladas figuras aos demais anónimos que desapareceram, todos concorreram, cada qual à sua maneira, para pôr fim ao colonialismo, para vencer os invasores e para erigir Angola como Nação independente.

Aguardamos verdadeiramente pelo Vosso interesse na prossecução desta nobre tarefa, que visa repôr verdades, fazer justiça e devolver dignidade, jamais esquecendo o passado para que não se repita no futuro.

Lisboa, 27 de Maio de 2008

A Associação 27 de Maio

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Explicação Devida

20.05.2008

A explicação devida pelas anomalias e mesmo interrupção do 27maio.org acontece agora, por quem dá vida à página, passado demasiado tempo, reconhecemos.

Purga em Angola de Dalila Cabrita Mateus

Tudo começou com a vinda a público do incómodo “Purga em Angola“, livro da autoria de uma historiadora e de um jurista portugueses. Nesse dia, justamente à hora em que o seu lançamento ocorria, em Lisboa no já distante mês de Setembro 2007, este site era violentamente atacado, tornando-o praticamente irrecuperável no seu formato de então, o que nos deixou preocupados, não fosse contudo o assalto e as baixezas praticadas serem há muito esperados. Lembrar o passado dizendo dele as verdades parece ser, acreditamos, demasiado inquietante para muita gente.

Contudo nós, sobreviventes e familiares de tão grande número de desaparecidos, não estamos dispostos por tal motivo a baixar os braços. Vamos continuar a batalhar por aquilo que nos é devido, corrigindo a mentira e resgatando a memória de todos aqueles que, por acção de uma estratégia pré planeada, continuam qualificados com o epíteto “os maus da fita”.

Aproveitámos então a oportunidade forçada e decidimos refrescar a imagem do 27maio.org, e não só. Aperfeiçoámos o diálogo que através dele se faz com quem nos procura e com a mesma determinação com que iniciámos esta empreitada, vamos continuar a informar quem a nós recorre, dando resposta às questões que nos são colocadas, agarrando os testemunhos, por vezes teimosos em chegar, tamanho é o peso da dor que carregam. Não vamos consentir que o ocorrido a 27 de Maio de 1977 e nos aziagos tempos que se seguiram caia no esquecimento, como percebemos ser vontade de alguns.

Foi Assim de Zita Seabra Holocausto em Angola de Américo Cardoso Botelho Massacres em África de Felícia Cabrita

Entretanto, nesta pausa, muita coisa aconteceu. Da baixeza vil dos insultos que nos lançaram, à imputação de culpas infundadas e habilmente engendradas no despoletar do conflito de Maio de 1977, de tudo vimos, ouvimos e lemos e, como diz o poeta, não podemos ignorar.

Assim, continuámos com o nosso trabalho, fomos alimentando a nossa base de dados com o que de novo se disse sobre o assunto. Saíram livros que contavam das vilanias praticadas durante e após o 27,outros falaram sobretudo de uma das suas vítimas, de Sita Valles.

Escreveram-se artigos para jornais Angolanos e Portugueses, A Capital (pdf), Público (pdf), Alentejo Popular (pdf) e nos blogs (xatoo), o espaço livre de debate de ideias, tanto se disse a propósito do tema.

Do que foi dito nesses livros exporemos em breve nossas reflexões, pois entendemos haver algumas arestas a limar, precisar alguns dizeres e estórias, que em nosso entender, não estão correctos.

Vão ter que nos tolerar. Não estamos dispostos a desistir. Temos dificuldade em esquecer, e não o queremos fazer. Vamos continuar a lembrar, lembrar para não esquecer.

A Associação 27 de Maio.

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Galeria de fotografias

02.05.2008

Fotografias de vítimas do 27 Maio

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História sobre o 27 de Maio de 1977 tem que ser contada

20.02.2008

Fundação Agostinho Neto A Fundação Agostinho Neto numa declaração divulgada pelo Jornal de Angola na sua edição de 18.Fev.2008, e assinada pela presidente do seu conselho de administração, a propósito dos livros e artigos publicados sobre o 27 de Maio de 1977, aduz que os “ditos historiadore(a)s apenas contam mentiras e versões do lado dos golpistas, sem nunca se preocuparem em ouvir o MPLA, o Governo e outros participantes, nem respeitam as evidências históricas”. Nós, na Associação 27 de Maio, sobreviventes que somos dessa sangrenta expurga, replicamos. Revelem-nos as mentiras, apresentem a vossa versão, reprovem o silêncio de muitas testemunhas e participantes directos que ainda estão vivos, mas desenganem-se: a razão do seu mutismo é outra, não é por saberem que a verdade está a ser, ou não, contada. Para tirar dúvidas, incitem-nos a falar e ouçamos o que nos têm para revelar.

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… A caravana passa

12.02.2008

Jornal de Angola

Ler o Jornal de Angola é um hábito que não cultivo. Fiquei com esta repulsa desde os tempos em que as suas páginas destilavam ódio, prestimosa ajuda para atiçar o uso da violência, da tortura e da morte como o foi no pós 27 de Maio de 1977. Por estas e por outras, jamais lhe prestei a atenção. Aconteceu porém ter sido desinquietado, via e-mail, para ler o que agora lá se dizia a propósito do livro “A Purga em Angola”. Bastou-me ler o título, para de imediato pensar: o N’Dunduma voltou. Fantasia, desta vez ele não está lá, porém deixou escola, senão que jornalismo sério difundiria um escrito tão reles?

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Por ocasião do Lançamento do Purga em Angola

05.11.2007

Purga em Angola

Por ocasião do lançamento do livro PURGA EM ANGOLA, Margarida Ângela, jornalista da RDP África, colheu de alguns dos presentes, impressões que podem ser ouvidas aqui.

(Deixe carregar um pouco, antes de começar a audição)

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Ademar Valles: Alegria de Viver

19.07.2007

Ademar Valles

Nessa noite, chegou uma brigada da DISA, com uma lista de nomes, para entrarem numa ambulância. Todos sabiam o que aquilo significava. A viagem para a morte, sem julgamento, sem o mínimo direito à defesa.

O Ademar seria assassinado nesse dia.

Os seus verdugos, esses, continuam impunes, enquanto Angola aguarda o dia em que a reconciliação seja possível, com a assumpção de responsabilidades…

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Isa Pereira - Regresso

26.06.2007

Zé Agostinho musicou o belíssimo poema REGRESSO, de Amílcar Cabral, hoje celebrado nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso e que por sorte encontrei nesta brasileira versão de Isa Pereira.

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José Agostinho

21.06.2007

José Agostinho

Já não faz parte do nosso quotidiano, José da Piedade Agostinho, o cantor e compositor que também foi dirigente da JMPLA, a organização política da juventude. Comigo partilhou alguns dos momentos mais sérios, por que talvez tenhamos passado, na sequência repressora do 27 de Maio de 1977.

Hoje, evoco aqui o saudoso companheiro com quem tive o privilégio de entoar tantas canções.

Estivemos juntos na cela “D” da cadeia de São Paulo, no mês de Junho de 1977, e aí cantámos. Levaram-nos um dia, quis a desdita, para o Campo de Concentração do Tari, na Quibala, e também aí cantámos. A 29 de Setembro de 1979, dia em que, assim ditou a sorte, recebemos ordem de soltura, voltámos a cantar.

Quem no Tari, dos que por lá penou, se não lembra do Kitaxi, Kitaxi, ou daqueloutra – É preciso cantar, cantar sempre, cantar sem medo – ser cantada por mil vozes? Foi também aí, lá para as terras do Kuanza-Sul, numa noite de enorme inspiração e com o talento que lhe era próprio, que Zé Agostinho musicou o belíssimo poema REGRESSO, de Amílcar Cabral, hoje celebrado nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso e que por sorte encontrei, nesta brasileira versão de Isa Pereira. Não resisti, fiz um “roubo”.

Boa audição.

José Reis

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