Explicação Devida
20.05.2008
A explicação devida pelas anomalias e mesmo interrupção do 27maio.org acontece agora, por quem dá vida à página, passado demasiado tempo, reconhecemos.

Tudo começou com a vinda a público do incómodo “Purga em Angola“, livro da autoria de uma historiadora e de um jurista portugueses. Nesse dia, justamente à hora em que o seu lançamento ocorria, em Lisboa no já distante mês de Setembro 2007, este site era violentamente atacado, tornando-o praticamente irrecuperável no seu formato de então, o que nos deixou preocupados, não fosse contudo o assalto e as baixezas praticadas serem há muito esperados. Lembrar o passado dizendo dele as verdades parece ser, acreditamos, demasiado inquietante para muita gente.
Contudo nós, sobreviventes e familiares de tão grande número de desaparecidos, não estamos dispostos por tal motivo a baixar os braços. Vamos continuar a batalhar por aquilo que nos é devido, corrigindo a mentira e resgatando a memória de todos aqueles que, por acção de uma estratégia pré planeada, continuam qualificados com o epíteto “os maus da fita”.
Aproveitámos então a oportunidade forçada e decidimos refrescar a imagem do 27maio.org, e não só. Aperfeiçoámos o diálogo que através dele se faz com quem nos procura e com a mesma determinação com que iniciámos esta empreitada, vamos continuar a informar quem a nós recorre, dando resposta às questões que nos são colocadas, agarrando os testemunhos, por vezes teimosos em chegar, tamanho é o peso da dor que carregam. Não vamos consentir que o ocorrido a 27 de Maio de 1977 e nos aziagos tempos que se seguiram caia no esquecimento, como percebemos ser vontade de alguns.

Entretanto, nesta pausa, muita coisa aconteceu. Da baixeza vil dos insultos que nos lançaram, à imputação de culpas infundadas e habilmente engendradas no despoletar do conflito de Maio de 1977, de tudo vimos, ouvimos e lemos e, como diz o poeta, não podemos ignorar.
Assim, continuámos com o nosso trabalho, fomos alimentando a nossa base de dados com o que de novo se disse sobre o assunto. Saíram livros que contavam das vilanias praticadas durante e após o 27,outros falaram sobretudo de uma das suas vítimas, de Sita Valles.
Escreveram-se artigos para jornais Angolanos e Portugueses, A Capital (pdf), Público (pdf), Alentejo Popular (pdf) e nos blogs (xatoo), o espaço livre de debate de ideias, tanto se disse a propósito do tema.
Do que foi dito nesses livros exporemos em breve nossas reflexões, pois entendemos haver algumas arestas a limar, precisar alguns dizeres e estórias, que em nosso entender, não estão correctos.
Vão ter que nos tolerar. Não estamos dispostos a desistir. Temos dificuldade em esquecer, e não o queremos fazer. Vamos continuar a lembrar, lembrar para não esquecer.
A Associação 27 de Maio.
» Categoria Geral | 5 Comentários
Galeria de fotografias
02.05.2008
Fotografias de vítimas do 27 Maio Ler mais »
» Categoria Galeria | 22 Comentários
História sobre o 27 de Maio de 1977 tem que ser contada
20.02.2008
A Fundação Agostinho Neto numa declaração divulgada pelo Jornal de Angola na sua edição de 18.Fev.2008, e assinada pela presidente do seu conselho de administração, a propósito dos livros e artigos publicados sobre o 27 de Maio de 1977, aduz que os “ditos historiadore(a)s apenas contam mentiras e versões do lado dos golpistas, sem nunca se preocuparem em ouvir o MPLA, o Governo e outros participantes, nem respeitam as evidências históricas”. Nós, na Associação 27 de Maio, sobreviventes que somos dessa sangrenta expurga, replicamos. Revelem-nos as mentiras, apresentem a vossa versão, reprovem o silêncio de muitas testemunhas e participantes directos que ainda estão vivos, mas desenganem-se: a razão do seu mutismo é outra, não é por saberem que a verdade está a ser, ou não, contada. Para tirar dúvidas, incitem-nos a falar e ouçamos o que nos têm para revelar.
» Categoria Artigos | 12 Comentários
… A caravana passa
12.02.2008

Ler o Jornal de Angola é um hábito que não cultivo. Fiquei com esta repulsa desde os tempos em que as suas páginas destilavam ódio, prestimosa ajuda para atiçar o uso da violência, da tortura e da morte como o foi no pós 27 de Maio de 1977. Por estas e por outras, jamais lhe prestei a atenção. Aconteceu porém ter sido desinquietado, via e-mail, para ler o que agora lá se dizia a propósito do livro “A Purga em Angola”. Bastou-me ler o título, para de imediato pensar: o N’Dunduma voltou. Fantasia, desta vez ele não está lá, porém deixou escola, senão que jornalismo sério difundiria um escrito tão reles?
» Categoria Artigos | 2 Comentários
Por ocasião do Lançamento do Purga em Angola
05.11.2007

Por ocasião do lançamento do livro PURGA EM ANGOLA, Margarida Ângela, jornalista da RDP África, colheu de alguns dos presentes, impressões que podem ser ouvidas aqui.
(Deixe carregar um pouco, antes de começar a audição)
» Categoria Artigos | 1 Comentário
Ademar Valles: Alegria de Viver
19.07.2007

Nessa noite, chegou uma brigada da DISA, com uma lista de nomes, para entrarem numa ambulância. Todos sabiam o que aquilo significava. A viagem para a morte, sem julgamento, sem o mínimo direito à defesa.
O Ademar seria assassinado nesse dia.
Os seus verdugos, esses, continuam impunes, enquanto Angola aguarda o dia em que a reconciliação seja possível, com a assumpção de responsabilidades…
» Categoria Biografias | 4 Comentários
Isa Pereira - Regresso
26.06.2007
Zé Agostinho musicou o belíssimo poema REGRESSO, de Amílcar Cabral, hoje celebrado nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso e que por sorte encontrei nesta brasileira versão de Isa Pereira.
» Categoria Maio Cultura | 1 Comentário
José Agostinho
21.06.2007

Já não faz parte do nosso quotidiano, José da Piedade Agostinho, o cantor e compositor que também foi dirigente da JMPLA, a organização política da juventude. Comigo partilhou alguns dos momentos mais sérios, por que talvez tenhamos passado, na sequência repressora do 27 de Maio de 1977.
Hoje, evoco aqui o saudoso companheiro com quem tive o privilégio de entoar tantas canções.
Estivemos juntos na cela “D” da cadeia de São Paulo, no mês de Junho de 1977, e aí cantámos. Levaram-nos um dia, quis a desdita, para o Campo de Concentração do Tari, na Quibala, e também aí cantámos. A 29 de Setembro de 1979, dia em que, assim ditou a sorte, recebemos ordem de soltura, voltámos a cantar.
Quem no Tari, dos que por lá penou, se não lembra do Kitaxi, Kitaxi, ou daqueloutra – É preciso cantar, cantar sempre, cantar sem medo – ser cantada por mil vozes? Foi também aí, lá para as terras do Kuanza-Sul, numa noite de enorme inspiração e com o talento que lhe era próprio, que Zé Agostinho musicou o belíssimo poema REGRESSO, de Amílcar Cabral, hoje celebrado nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso e que por sorte encontrei, nesta brasileira versão de Isa Pereira. Não resisti, fiz um “roubo”.
Boa audição.
José Reis
» Categoria Maio Cultura | 1 Comentário
Ainda a “Nuvem Negra”
11.06.2007

Após sôfrega leitura do “Nuvem Negra”, o drama do 27 de Maio de 1977, da autoria do nosso companheiro Michel, testemunho pungente dos horrores por que passou, acrescentámos ao extenso rol de torcionários que tão bem já conhecíamos, – Eduardo Veloso, Carlos Jorge, Pitôco, Jeituera , etc os Manhingas, os Carindowaluas , os Elias e até, por anuência, o Soba Kapalandanda.
» Categoria Artigos | 1 Comentário
Lançamento do Livro “Nuvem Negra – O Drama do 27 de Maio de 1977” de Miguel Francisco “Michel”
08.06.2007
Miguel Francisco, advogado, militante do MPLA, antigo prisioneiro do 27 de Maio, é o autor de “Núvem Negra - Drama do 27 de Maio de 1977″, que traz a público uma versão, cujo objectivo, segundo ele mesmo diz, é o esclarecimento da verdade.
» Categoria Arquivo | 6 Comentários




