Costa Martins (1938-2010)
10.03.2010
Tem hoje lugar o funeral do Coronel da Força Aérea, José Inácio da Costa Martins, na sequência da queda de uma aeronave.
Militar de Abril, Costa Martins foi um dos obreiros do “25 de Abril” em Portugal, participou no comando das forças que tomaram o Aeroporto da Portela (Lisboa) e o Aeródromo Base nº1 de Lisboa, foi membro da Comissão Coordenadora do MFA, do Conselho de Estado, do Conselho da Revolução e ministro do Trabalho de quatro governos provisórios.
Fixou-se em Angola após o golpe de “25 de Novembro” em Portugal, Agostinho Neto concedeu-lhe o estatuto de refugiado político e um passaporte diplomático, e a 4 de Junho de 1977, na sequência do “27 de Maio de 1977”, acabou preso e torturado pela DISA. Viria a ser libertado sem processo nem julgamento no ano seguinte, em Maio de 1978.
A Associação 27 de Maio manifesta o seu mais sentido pesar e endereça aos familiares as suas sentidas condolências.
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Milhares de pessoas prestam homenagem a Victor Jara
05.12.2009
Foi torturado pelos militares, partiram-lhe as mãos, meteram-lhe mais de 30 balas no corpo. O cantautor chileno é enfim velado pelo seu povo
A Presidente do Chile, Michelle Bachelet, assistiu ontem ao velório dos restos mortais de Víctor Jara, assassinado em 1973 por militares nos dias que se seguiram ao golpe de Estado de Augusto Pinochet, e disse que, ao fim de 36 anos, o cantautor chileno “pode finalmente descansar em paz”. Bachelet e a porta-voz do Governo chileno, Carolina Tohá, foram recebidas na Fundação Víctor Jara pela viúva e as filhas do cantor.
O ataúde de madeira onde repousam os restos mortais de Jara é o mesmo em que ele foi sepultado no dia 18 de Setembro de 1973 quando a sua mulher, acompanhada por apenas duas pessoas, o depositou num nicho do Cemitério Geral.
O ataúde foi restaurado por Amanda, uma das filhas do artista, depois de o corpo de Victor Jara ter sido exumado em Junho último para ser submetido a uma série de exames. Após a decisão tomada pelo juiz Fuentes Belmar, o Serviço Médico-Legal confirmou que o artista recebeu mais de 30 impactos de bala em todo o corpo.
Evocando o autor de canções como Te recuerdo Amanda e El Cigarrito, Bachelet descreveu-o como uma pessoa “íntegra” e “coerente” com os valores da justiça social, a humanidade, o respeito e a solidariedade.
“O nosso país demorou 36 anos a devolvê-lo ao Chile, a devolver à sua família este Víctor que é nosso, é de todos nós. Creio que é a melhor homenagem que podemos prestar-lhe, esta homenagem que é reconhecê-lo em toda a sua plenitude”, disse Bachelet.
“Finalmente, depois de 36 anos, Víctor pode descansar em paz”, observou a Presidente, ela própria filha de um general da Força Aérea, que morreu na prisão após ser torturado pelos militares golpistas. Michelle Bachelet lembrou, aliás, que “há muitas outras famílias que querem poder descansar em paz”.
“Creio que Víctor Jara está por aqui, connosco (…) continua a viver e a lutar connosco por um mundo melhor”, disse, por seu lado, a viúva do cantor, a britânica Joan Turner.
A homenagem ao cantautor começou quinta-feira, com a presença no velório da ministra da Cultura, Paulina Urrutia, o músico chileno Ángel Parra, filho de Violeta Parra, o realizador de cinema Andrés Wood e o candidato presidencial da esquerda extra-parlamentar, Jorge Arrate, entre outras figuras da política e da cultura.
Segundo fontes da Fundação, passaram já pela sede, desde quinta-feira, dez mil pessoas.
Hoje de manhã, sairá da sede da Fundação o cortejo fúnebre, que percorrerá as ruas de Santiago até ao Cemitério Geral.
Cantautor e director de teatro, Jara foi assassinado no Estádio Chile, um recinto desportivo utilizado como centro de reclusão e tortura, dias depois do golpe de Estado que, em 11 de Setembro de 1973, pôs fim ao governo democraticamente eleito do presidente Salvador Allende.
Segundo a investigação judicial, Victor Jara foi brutalmente espancado e torturado, esmagaram-lhe as mãos com as coronhas das espingardas e dispararam contra ele 44 tiros.
Diário de Notícias
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Africa nossa: Entre o 25 e o 27 de Maio
25.05.2009
Com os ingredientes de sempre, o encontro com a memória e com a amizade terá lugar nesta segunda-feira, 25 de Maio, Dia de uma África que já foi bem pior, quando em Angola se massacraram, por razões políticas, milhares de jovens na sequência dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977.
Esta África, lamentavelmente, ainda não pertence ao passado e muito menos está enterrada definitivamente, como foram as suas vítimas angolanas em valas comuns a quem, uma vez mais, estamos aqui a prestar a nossa mais profunda homenagem à espera que algum dia destes a sua memória seja reabilitada como dignos filhos desta pátria.
Em África continuamos a ter notícias tristes e sangrentas sobre a eclosão de agudos surtos de violência e intolerância políticas um pouco por todo o lado, embora a tendência já não seja tão preocupante.
É, contudo, uma tendência que ainda é frágil e está pouco sustentada, mesmo lá onde o exercício das urnas democráticas e da alternância política já é uma realidade com alguns anos de estágio certificado por conceituadas agências internacionais. Os exemplos recentes de violência política falam bem desta África violenta que às vezes está apenas adormecida, quando tudo parece correr bem.
A proximidade do 25 de Maio, Dia de África, com o 27 de Maio, Dia que agora já ninguém quer saber para nada, é de facto uma oportunidade para relacionarmos as efemérides e olharmos para o lado mais complicado e mais nebuloso do nosso continente, porque ele efectivamente continua a existir, a fazer vítimas, a condicionar fortemente o livre exercício da cidadania e a própria imagem de todo um continente.
Este lado tem a ver com o exercício físico do poder político por parte de um conjunto de lideranças africanas que mesmo no limite das suas capacidades físicas e etárias continua a pensar em tudo, menos em retirar-se na maior das calmas e ir para casa descansar e escrever as suas memórias.
Pelo que julgo saber, muito poucos terão sido os representantes desta geração que deixaram para a posteridade livros com um tal cunho.
Não gostam de escrever memórias porque nada têm para transmitir às gerações futuras, para além de uma experiência política maquiavélica muito pouco recomendável para menores de idade que são os nossos jovens.
Por isso, preferem não escrever nada, evitando deste modo deixar para o futuro as impressões digitais de um passado pouco saudável, que vai certamente desaparecer com eles.
Com esta “paixão” pelo poder estas lideranças não gostam sequer que alguém lhes fale em sucessão ou em transição. Tudo é tabu. Mais grave do isso e porque não permitem que o debate seja iniciado, o próprio país começa a entrar em pânico só de pensar na possibilidade deles desaparecerem.
Já é altura dos políticos africanos, de uma vez por todas, os mais velhos e os mais novos, assumirem a política como um serviço público, como outro qualquer com direito à reforma e deixarem de pensar que depois deles não haverá mais ninguém com capacidade para segurar o leme de um barco, por vezes tão mal dirigido durante o seu consulado.
É só isso que lhes estamos a pedir nesta jornada africana, cuja proximidade com o nosso 27 de Maio não é possível ignorar.
Wilson Dadáhttp://morrodamaianga.blogspot.com/
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Nito Alves e a Revolta Activa. O passado e as omissões de uma história mal contada
05.06.2008
No texto que o João Melo (JM) assinou a 26 de Maio do corrente ano (2008) no Jornal de Angola sobre “O 27 e o 28 de Maio” há uma referência histórica feita por ele que me chamou particularmente a atenção.
Em causa está uma omissão que é sintomática da forma como determinadas figuras e factos do passado são tratados no presente por determinados autores que depois acusam os outros de serem revisionistas.
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27 de Maio, 31 anos depois.
05.06.2008
A história está a ser contada agora com outras histórias… - …que começaram a ser escritas e publicadas
Pela quarta-vez consecutiva voltamos a estar juntos este ano em Luanda em torno de uma (várias) mesa (s) com comes, bebes e muitas conversas.
Foi a quarta-edição do Almoço Evocativo do 27 de Maio. Ler mais »
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Carta aberta ao deputado João Melo. A propósito de «O 27 e o 28 de Maio»
03.06.2008
Excelência. Queira, antes de mais, aceitar os meus respeitosos cumprimentos, desejando-lhe ao mesmo tempo êxitos, na vossa nobre função como deputado eleito por este sofrido povo. Certamente Vossa Excelência não me conhece pessoalmente, anónimo e de base que sou. Mas penso que já ouviu falar na minha pessoa, em função dos meus pronunciamentos sobre os acontecimentos do dia 27 de Maio de 1977, do qual fui uma das vítimas, tendo sido desterrado, na companhia de centenas de jovens, para um feroz campo de concentração localizado na Comuna da Calunda, Município do Alto Zambeze, na Província do Moxico, de onde só sobrevivi por milagre do «Criador».
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Quem fez o “27″ levou a melhor. O rescaldo foi o dia “28″
02.06.2008
Mais uma vez nos confrontamos com o Jornal de Angola conhecido pela sua vocação em dar espaço a “opiniões” e discursos que só suscitam a confusão. Desta vez temos o exemplo de João Melo com uma matéria sobre a tragédia do 27 de Maio a tentar fazer crer que o dia seguinte, o «28 de Maio de 1977», longe de dar continuidade ao que fora há muito planeado para um dia, apenas foi o 27 de Maio.
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Angola tem de voltar a saber que nada é mais sagrado do que a vida humana
31.05.2008
Daqui há algumas semanas completar-se-ão 28 anos desde que em Angola se testemunhou o culminar daquilo que viria a ser uma das páginas mais tristes e obscuras da sua conturbada história: o 27 de Maio de 1977. Para os angolanos mais jovens é, certamente, difícil, se calhar até impossível, entender o que se passou e, por conseguinte, perceber o terrível impacto nacional das últimas três décadas. Ler mais »
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Todos os anos, neste dia, lhe digo a mesma coisa
28.05.2008
Chamo-me Rui Tukayana.
Tenho 30 anos e nasci em Angola, quando esta já era uma nação livre e independente.
Do meu pai herdei o meu primeiro nome próprio: Rui. Ele chamava-se Rui Coelho.
Fruto do que aconteceu, faz hoje 31 anos, a minhã mãe escolheu o meu segundo nome próprio: Tukayana. Esta é uma palavra em tchokwe, uma língua angolana, e que quer dizer “venceremos”. Chamo-me, portanto, Rui Venceremos. Ler mais »
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CARTA ABERTA AO CHEFE DE ESTADO ANGOLANO
27.05.2008
Exmo. Senhor Presidente:
Ao sabermos do propósito de promover em Setembro próximo eleições legislativas, acontecimento há muito esperado, considerámos oportuno solicitar de novo, como achega a tão elevado sinal democrático, a sua atenção para a nossa pretensão que reclama pelo esclarecimento da verdade, desejo antigo e tão ansiado por larga fatia da sociedade angolana, que viu muitos dos seus desaparecerem na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.
Já vai longa a troca de acusações manifesta por sobreviventes, familiares dos desaparecidos e de outros participantes no processo ou por seus representantes. Reclamam-se todos de justiça e pela restauração da imagem e dignidades manchadas. Porém, se os primeiros apelam ao mais alto dignitário da nação para que promova a constituição de uma Entidade Independente dotada de poderes necessários para indagar o passado, dos outros há quem espere venha a ser o MPLA a dar explicações para o seu comprometimento, enquanto outros, integrantes do Partido e do Estado, estão dispostos a sugerir a investigação e recolha das evidências históricas como contributo para a busca da verdade sobre o que deveras ocorreu a 27 de Maio de 1977, privilegiando a acção daquele que foi, em última instância, o responsável por todos os gestos do Estado, o então presidente Agostinho Neto.
Senhor Presidente, volvidas três décadas de resignação e silêncios forçados, torna-se premente, que de forma decisiva nos conceda a sua indispensável cooperação para se desenvolver um trabalho sério e uma pesquisa rigorosa. E porque todos os processos têm um início, quem melhor posicionado que V.Exa., para proporcionar o acesso a toda a informação e documentação, abrir à investigação a consulta dos arquivos do MPLA e do Estado Angolano, permitindo válidas e esclarecedoras conclusões, como por exemplo trazer a público o resultado conseguido pela Comissão de Inquérito a que então presidiu por incumbência do B.P. do MPLA, conclusão essencial, pois dirá a forma e a medida da “implicação fraccionista”, que se dizia ter invadido o MPLA, os seus meandros e práticas, afinal para benefício de quem.
Senhor Presidente, se até aqui foi nosso propósito apelar do seu compromisso na prossecução desta tarefa que propõe restabelecer a verdade na história de Angola e na do MPLA, de onde o “27 de Maio de 1977″ não pode ser arredado, vamos arriscar de novo sensibilizá-lo para que atenda anteriores pedidos que, uma vez satisfeitos, engrandeceriam a Nação e dignificariam o seu Presidente. Já passaram mais de trinta anos e ainda não foram entregues as certidões de óbito que atestem a causa da morte de inúmeros cidadãos. Conhecer os locais onde se encontram os seus restos mortais, proceder-se à sua exumação e sequente entrega às famílias para que estas procedam ao seu digno funeral, seria um gesto de enorme humanidade.
Tendo sido criada por iniciativa de V.Exa. uma “Comissão Multisectorial”, um projecto que visa valorizar e divulgar figuras históricas angolanas, no intuito de fortalecer a unidade nacional e que terá competência para conceber e edificar estátuas e monumentos históricos, permita-nos desde já que possamos candidatar como figura histórica digna de tal merecimento, todos aqueles que pereceram na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Afinal, das mais faladas figuras aos demais anónimos que desapareceram, todos concorreram, cada qual à sua maneira, para pôr fim ao colonialismo, para vencer os invasores e para erigir Angola como Nação independente.
Aguardamos verdadeiramente pelo Vosso interesse na prossecução desta nobre tarefa, que visa repôr verdades, fazer justiça e devolver dignidade, jamais esquecendo o passado para que não se repita no futuro.
Lisboa, 27 de Maio de 2008
A Associação 27 de Maio
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