A propósito do “27 de Maio de 1977”
02.06.2010
“Na vida é impossível renunciar ao passado, à memória. É necessário enfrentá-lo para que os fantasmas do passado não se transformem numa ferida que não cicatriza nunca”
Pedro Almodover
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CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DE ANGOLA
26.05.2010
Exmo. Senhor Presidente:
Dirigimos-lhe de novo um apelo, quem sabe pela insistência se obtenha a ansiada resposta que aguardamos há anos.
A nossa memória é perene e, passados trinta e três anos, a tragédia que desabou em Angola a 27 de Maio de 1977, insiste em estar presente. Se o seu silêncio, por demais continuado, acarreta o esquecimento, em nós, pelo contrário, incute perseverança, até que colhamos da vossa parte o sinal de vontade em dispensar tratamento digno a tão pungente assunto.
Nós, sobreviventes e familiares dos desaparecidos, sustentamos uma opinião contra o esquecimento, da qual lhe demos sempre conhecimento, por o considerarmos um singular conhecedor, sobrevindo a relevante posição que detém na hierarquia do Estado e da Nação. Assim foi que, na primeira carta aberta que lhe endereçámos, decorria o ano de 2003, sugeríamos a criação de uma entidade pública e independente confiada a apurar os factos que viessem a sustentar a verdade, a responsabilizar os infractores, recaindo sobre eles o ónus da justiça, e que por fim se empenhasse na reparação dos danos. Serve de exemplo o que foi praticado noutros lugares, lá onde as sociedades se depararam com idêntico legado, tendo os processos que conduziram à verdade e à justiça decorrido pública e de forma transparente, antecipando-se sempre a uma eventual reconciliação/perdão.
Considerado o nosso parecer, é nossa convicção que daí em diante, ao lembrarmos a passagem de mais um 27 de Maio, poderá a Nação Angolana sentir-se orgulhosa por se ter encetado o ajuste de contas com a História. Assim sendo, os relatórios das organizações internacionais pelos direitos humanos anunciarão progressos, as certidões de óbito estarão por fim entregues, será público o rol dos desaparecidos, identificados estarão também os locais onde jazem as vítimas, conhecidos os seus autores, a sua prática e os seus propósitos, os mortos terão sido exumados para lhes ser dada sepultura digna, a verdade contada, a justiça exercida e, quem sabe, num gesto de preservação da memória, um monumento erigido às vítimas. O dia será de luto.
Pelo exposto, apelamos uma vez mais à sua consideração. Da nossa parte continuaremos a lembrar para não esquecer.
Lisboa, 27 de Maio de 2010
A Associação 27 de Maio
Edgar Valles
Jorge Fernandes
José Fuso
José Reis
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Costa Martins (1938-2010)
10.03.2010
Tem hoje lugar o funeral do Coronel da Força Aérea, José Inácio da Costa Martins, na sequência da queda de uma aeronave.
Militar de Abril, Costa Martins foi um dos obreiros do “25 de Abril” em Portugal, participou no comando das forças que tomaram o Aeroporto da Portela (Lisboa) e o Aeródromo Base nº1 de Lisboa, foi membro da Comissão Coordenadora do MFA, do Conselho de Estado, do Conselho da Revolução e ministro do Trabalho de quatro governos provisórios.
Fixou-se em Angola após o golpe de “25 de Novembro” em Portugal, Agostinho Neto concedeu-lhe o estatuto de refugiado político e um passaporte diplomático, e a 4 de Junho de 1977, na sequência do “27 de Maio de 1977”, acabou preso e torturado pela DISA. Viria a ser libertado sem processo nem julgamento no ano seguinte, em Maio de 1978.
A Associação 27 de Maio manifesta o seu mais sentido pesar e endereça aos familiares as suas sentidas condolências.
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Milhares de pessoas prestam homenagem a Victor Jara
05.12.2009
Foi torturado pelos militares, partiram-lhe as mãos, meteram-lhe mais de 30 balas no corpo. O cantautor chileno é enfim velado pelo seu povo
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Africa nossa: Entre o 25 e o 27 de Maio
25.05.2009
Com os ingredientes de sempre, o encontro com a memória e com a amizade terá lugar nesta segunda-feira, 25 de Maio, Dia de uma África que já foi bem pior, quando em Angola se massacraram, por razões políticas, milhares de jovens na sequência dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977.
Esta África, lamentavelmente, ainda não pertence ao passado e muito menos está enterrada definitivamente, como foram as suas vítimas angolanas em valas comuns a quem, uma vez mais, estamos aqui a prestar a nossa mais profunda homenagem à espera que algum dia destes a sua memória seja reabilitada como dignos filhos desta pátria.
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Nito Alves e a Revolta Activa. O passado e as omissões de uma história mal contada
05.06.2008
No texto que o João Melo (JM) assinou a 26 de Maio do corrente ano (2008) no Jornal de Angola sobre “O 27 e o 28 de Maio” há uma referência histórica feita por ele que me chamou particularmente a atenção.
Em causa está uma omissão que é sintomática da forma como determinadas figuras e factos do passado são tratados no presente por determinados autores que depois acusam os outros de serem revisionistas.
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27 de Maio, 31 anos depois.
05.06.2008
A história está a ser contada agora com outras histórias… - …que começaram a ser escritas e publicadas
Pela quarta-vez consecutiva voltamos a estar juntos este ano em Luanda em torno de uma (várias) mesa (s) com comes, bebes e muitas conversas.
Foi a quarta-edição do Almoço Evocativo do 27 de Maio. Ler mais »
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Carta aberta ao deputado João Melo. A propósito de «O 27 e o 28 de Maio»
03.06.2008
Excelência. Queira, antes de mais, aceitar os meus respeitosos cumprimentos, desejando-lhe ao mesmo tempo êxitos, na vossa nobre função como deputado eleito por este sofrido povo. Certamente Vossa Excelência não me conhece pessoalmente, anónimo e de base que sou. Mas penso que já ouviu falar na minha pessoa, em função dos meus pronunciamentos sobre os acontecimentos do dia 27 de Maio de 1977, do qual fui uma das vítimas, tendo sido desterrado, na companhia de centenas de jovens, para um feroz campo de concentração localizado na Comuna da Calunda, Município do Alto Zambeze, na Província do Moxico, de onde só sobrevivi por milagre do «Criador».
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Quem fez o “27″ levou a melhor. O rescaldo foi o dia “28″
02.06.2008
Mais uma vez nos confrontamos com o Jornal de Angola conhecido pela sua vocação em dar espaço a “opiniões” e discursos que só suscitam a confusão. Desta vez temos o exemplo de João Melo com uma matéria sobre a tragédia do 27 de Maio a tentar fazer crer que o dia seguinte, o «28 de Maio de 1977», longe de dar continuidade ao que fora há muito planeado para um dia, apenas foi o 27 de Maio.
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Angola tem de voltar a saber que nada é mais sagrado do que a vida humana
31.05.2008
Daqui há algumas semanas completar-se-ão 28 anos desde que em Angola se testemunhou o culminar daquilo que viria a ser uma das páginas mais tristes e obscuras da sua conturbada história: o 27 de Maio de 1977. Para os angolanos mais jovens é, certamente, difícil, se calhar até impossível, entender o que se passou e, por conseguinte, perceber o terrível impacto nacional das últimas três décadas. Ler mais »
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