Carta Aberta ao Presidente de Angola (2010)

Carta aberta ao Presidente de Angola (2010)

Exmo. Senhor Presidente:

Dirigimos-lhe de novo um apelo, quem sabe pela insistência se obtenha a ansiada resposta que aguardamos há anos.

A nossa memória é perene e, passados trinta e três anos, a tragédia que desabou em Angola a 27 de Maio de 1977, insiste em estar presente. Se o seu silêncio, por demais continuado, acarreta o esquecimento, em nós, pelo contrário, incute perseverança, até que colhamos da vossa parte o sinal de vontade em dispensar tratamento digno a tão pungente assunto.

Nós, sobreviventes e familiares dos desaparecidos, sustentamos uma opinião contra o esquecimento, da qual lhe demos sempre conhecimento, por o considerarmos um singular conhecedor, sobrevindo a relevante posição que detém na hierarquia do Estado e da Nação. Assim foi que, na primeira carta aberta que lhe endereçámos, decorria o ano de 2003, sugeríamos a criação de uma entidade pública e independente confiada a apurar os factos que viessem a sustentar a verdade, a responsabilizar os infractores, recaindo sobre eles o ónus da justiça, e que por fim se empenhasse na reparação dos danos. Serve de exemplo o que foi praticado noutros lugares, lá onde as sociedades se depararam com idêntico legado, tendo os processos que conduziram à verdade e à justiça decorrido pública e de forma transparente, antecipando-se sempre a uma eventual reconciliação/perdão.

Considerado o nosso parecer, é nossa convicção que daí em diante, ao lembrarmos a passagem de mais um 27 de Maio, poderá a Nação Angolana sentir-se orgulhosa por se ter encetado o ajuste de contas com a História. Assim sendo, os relatórios das organizações internacionais pelos direitos humanos anunciarão progressos, as certidões de óbito estarão por fim entregues, será público o rol dos desaparecidos, identificados estarão também os locais onde jazem as vítimas, conhecidos os seus autores, a sua prática e os seus propósitos, os mortos terão sido exumados para lhes ser dada sepultura digna, a verdade contada, a justiça exercida e, quem sabe, num gesto de preservação da memória, um monumento erigido às vítimas. O dia será de luto.

Pelo exposto, apelamos uma vez mais à sua consideração. Da nossa parte continuaremos a lembrar para não esquecer.

Lisboa, 27 de Maio de 2010

A Associação 27 de Maio

Edgar Valles
Jorge Fernandes
José Fuso
José Reis


27 de Maio - 33 anos


Sugestões

15 Respostas

  1. Sofia diz:

    Há 33 anos o sangue correu em Angola!
    Passados 33 anos nada foi feito!
    A propósito…
    “Julgamentos” de Nachingwea não estão esquecidos
    Familiares de pessoas desaparecidas vão criar Associação

    Os familiares de cidadãos moçambicanos desaparecidos no âmbito dos chamados “julgamentos” de Nachingwea e do sistema de reeducação implantado em Moçambique pela FRELIMO estão em vias de criar uma associação.

    O Canalmoz soube de reputada fonte que está prevista para breve uma reunião de familiares de pessoas desaparecidas após a realização dos “julgamentos” de Nachingwea, organizados pela Frente de Libertação de Moçambique em território tanzaniano em 1975. “A Associação procederá à compilação de um cadastro detalhado contendo os nomes de todos os desaparecidos e as circunstâncias da sua prisão arbitrária em território nacional e rapto em países estrangeiros, cadastro esse que formará a base de processos judiciais a serem movidos contra o Estado de Moçambique junto de instâncias de Direito competentes.”
    A fonte acrescentou que a par dessa medida, a Associação irá solicitar a obtenção do «Estatuto de Observador» junto da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR), órgão da União Africana.

    “Contamos com o encorajamento de diversas Instituições de Defensores de Direitos Humanos e estamos confiantes de que os justos interesses dos familiares dos cidadãos desaparecidas serão salvaguardados, pelo menos em fóruns de Direito Internacional”, referiu a fonte ao Canalmoz.

    CANALMOZ – 25.05.2010

  2. adriano diz:

    Gostaria de saber mas sobre este assunto.

  3. Sara diz:

    General assume que travou levantamento de 27 de Maio de 77
    O actual general de brigada cubano Rafael Moracen Limonta assumiu, numa entrevista concedida há três anos, a sua participação activa no desfecho dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, uma atitude jamais assumida pelos intervenientes angolanos.

    De acordo com uma entrevista que pode ser lida no sítio http://www.granmacubaweb.cu o general cubano, que ao tempo era o responsável pela segurança do presidente Agostinho Neto, dirigiu pessoalmente as acções que culminaram com a tomada da Rádio Nacional de Angola então em poder dos insurgentes.

    “Em nosso poder, a rádio não deixou de transmitir. Fui, arrebatei o microfone do locutor e o obriguei a dizer “Viva Neto”.

    Depois pronunciei umas palavras fortes e comuniquei à população que a rádio estava nas mãos da revolução”, recordou o militar cubano na entrevista que faz parte do livro “Segredos de generais”.

    Antes de chegar a esta situação, segundo declarações suas, os militares cubanos que se faziam transportar em veículos de combate BTR em número de 200 soldados puseram-se a executar os mesmos movimentos que os militares insurgentes, patrulha em volta das instalações da RNA, até que se dá um episódio fatal.

    “Nos incorporamos também a dar voltas ao redor da Rádio Nacional. Em determinado momento, confundo os meus soldados com os da contra-revolução, todos estávamos vestidos iguais, mas um dos militares leais é reconhecido e se formou um tremendo tiroteio”, recordou o general cubano.

    A rádio foi assim tomada por quinze militares fiéis ao presidente Agostinho Neto, entre cubanos e angolanos, juntando-se depois cerca de 20 militares que se faziam transportar nos veículos BTR e outros camiões militares.

    Depois da tomada da rádio, Rafael Moracen Limonta diz na entrevista ter telefonado para o chefe da Missão Militar Cubana, o agora general de corpo de exército Abelardo Colomé Ibarra, a solicitar a sua companhia de tanques que havia sido enviada para o Palácio do Povo e com a qual tinha dificuldades de comunicação.

    O militar cubano revelou igualmente que já havia um conhecimento prévio da situação, tentativa de suposto golpe de Estado, mas que Agostinho Neto sempre minimzou.

    Entretanto, os cubanos disseram ao presidente angolano que não estivesse no Palácio, mas apesar de tudo “disse que para ir a outro lugar tinha de certificar-se que o Palácio não seria tomado”.

    Para garantir isso, o actual general de brigada Rafael Moracen Limonta retirou da sua unidade duas companhias para reforçar a guarda presidencial.

    O general cubano, que já não dormia desde a noite de 26 de Maio, foi até ao Palácio assim que ouviu os primeiros disparos na madrugada do dia seguinte.

    “Ao chegar ao Palácio, deparou-seme uma manifestação que avançava com os militares golpistas com o objectivo de tomar a presidência.

    Dei ordem de que eles não podiam apoderar-se do palácio. Dei instruções à unidade para que, formada em coluna, estivesse pronta para sair até Luanda”, lembrou o general cubano.

    Na verdade, esta unidade de tanques encontrava-se na área da Vidrul, arredores de Luanda, e a sua movimentação para a capital tinha sido objecto de um pedido do Presidente Agostinho Neto, tendo sido levada à capital pelo próprio general Rafael Moracen Limonta.

    Neto pediu intervenção cubana
    Numa outra entrevista, o general de corpo do exército Abelardo Colomé Ibarra “Furry”, admite ter falado com Agostinho Neto sobre o golpe e a disposição dos militares cubanos de entrarem em acção e “o presidente pediu que actuássemos”.

    Furry diz ter havido um desconhecimento da composição das forças e meios com que contavam os sublevados e por esta razão procurou o contacto com o então ministro da Defesa, Iko Carreira, que lhe pareceu frio para a gravidade da situação.

    “Ofereci-me para o ajudar no que estimava que fosse conveniente. Estava com uma grande passividade, como que esperando que o fossem buscar para ser fuzilado”, disse Abelardo Colomé Ibarra.

    Apesar de terem ficado sem os batalhões de tanques para a efectivação do contra-ataque, os cubanos ainda assim socorreram-se de tanques destinados à instrução e marcharam para a nona brigada que foi tomada sem problemas.

    Eugénio Mateus

    (Retirado de http://www.opais.co.ao/pt/opais/?id=1&det=13039&mid=229 )

  4. José Eduardo dos Santos diz:

    Os Lideres mais importantes do mundo civilizado estiveram reunidos esta semana na Europa e Estado Unidos da America para enviarem uma mensagem clara ao tirano José Eduardo dos Santos de Angola, que o tempo do seu regime da Mafia já terminou.

  5. Manuel D. Baltazar diz:

    Boa tarde estimados irmãos

    Enviei uma mensagem para ao vosso email e gostaria de saber como me posso juntar a esta luta e como devo contribuir psicologica e financeiramente para esta causa?

    meu email (***@***)

  6. Os Recrutamentos dos novos membros dos Partidos da Oposição angolana Verdadeira (F.P.A.):

    Os Recursos Humanos do povo angolano

    A gestão dos Recursos dos novos membros faz parte da nossa estratégia politica, promovendo a excelência do desempenho para atingir os objectivos de sucesso a que nos propomos.

    Procuramos partidos, candidatos criativos, inovadores, dinâmicos e entusiastas, cuja competência pessoal e politica acrescentem uma mais-valia à politica de modo a garantir a permanência o futuro do povo angolano no Departamento da Mobilização da população angolana.

    Recrutamento

    Mantemos uma base de dados de candidaturas espontâneas activa. Pode preencher as páginas on-line seguintes, nos campos requeridos.

    Para sua informação está disponível uma lista das profissões/categorias existentes a que poderá candidatar-se.

    Para a admissão a concursos de Politico ou Assistente/Comissário de Departamento da Mobilização da população angolana, deverá aguardar divulgação na FPA do respectivo recrutamento.

    Áreas

    – Profissões/Categorias

    – Organigrama

    O FUTURO DO POVO ANGOLANO F.P.A.
    A Oposição angolana Verdadeira (F.P.A.)
    E-mail: (***@***)

  7. Gino diz:

    Ola muito boa Tarde Irmäes e Irmäos Angolanos!

    Uma verdadeira Democracia é meramente comveniete e indispensavél em Angola!Porque so com Liberdade de Expressäo é possivel concordar com Ideas progressivas e fazer mudansas de maneiras que possam levar Angola num Caminho Prospero.È necessário acabar com a Conrrupcäo em Angola, o País precisa de liders capazitados e Fiés, que näo so pensäm encher os seus bolsos, mas sim que possam tomar responsablidades com os Recursos nacionais, 50% no Investimento Educacional,na Formacäo de Quadros e sobretudo na area de Saúde de uma maneira Social.Este seria o meu desejo e daria o meu Contributo pelos tais.

    Voltando ao 27 de Maio, existe aqui alguem que saiba ou conheceu qualquer coisa sobre ADELINO KINTINO? Caso que sim queira por favor escrever me a este Email: (***@***)
    Muito Obrigado

  8. joão diz:

    meus compatrioticos , antes de escrever tens de pensar bem, veja quando nos sofremos ante honje em dia estamos assim , ninguem pode seguir as vagas de violenças que esta a passar nas outras pais, imaginem quando tinha guerra no nosso bela pais nao avia, ninguem que falava bem de Angola, então pensa bem ante de criticar

    • revoltado55 diz:

      Nao estou a criticar ninguem. Sao factos reais. Foram fuzilados muitos jovens angolanos k nem sabiam quem eram Ze-Vandunen ou Nito Alves.Vamos chamar a responsabilidade de todos os carrascos.

    • Gino diz:

      Sr. Joäo tenha juizo, e vé se aprenda escrever melhor a gramática Portuguesa! Criticas fazem parte de uma mera Democracia em todas nacoes progressivas do mundo. Por haver muitas pessoas obscuras com o Sr. em Angola e outros lados deste universo, continuará a pobresa e a miséria da maior parte da populacäo destes cantos, so pelo facto da Ignorancia e desqualificacäo dos lideres dos mesmos. Aceite a critica e tome a como uma openiäo construtiva se tivere de acordo!porque o que foi mal feito, deve ser criticado, pelo menos aprendemos assim na escola!

  9. Candido Lourenco diz:

    Ola camaradas angolanos vamos tentar esquecer o que se passou no 27 de maio pois foram casos reais que se passram ,mas o odio contimua porque os respossaveis continuam nos poderes e assim nunca acaba a desconfianca que por de tras de cada um ha outro pior se fossem julgados e condenados todos talves tudo acabaria assim nao.Eu propio vi casos que nem em filmes de terror se passam por isso diz muito,quado foram enterrados 4ou5 ja nao sei bem ao certo no brazil foi noticiado por todo o lado e dos portugueses que foram massacrados em Angola quem fala deles pois nao pode porque se nao iriam todos parar a prisam desculpem se ofendi algue mas e para dar respot a um leitor nao digo o nome mas ele s ler isto sabe do que estou a falar.

  10. John diz:

    Nao estou de acordo..
    Julguem os culpados..
    Condenem-nos…
    Fuzilar inocentes… nao
    Nao fui fuzilado… porque nao estava no local k os carrascos pensavam…
    Sou e era inocente…
    Nada tinha a haver com os ditos fraccionistas…
    tinha um defeito… nasci em LUANDA…e vivia no Moxico… e tinha amigos nascidos em Luanda

  11. John diz:

    O JES e cobarde…
    Ele presidiu a comissao de inquerito do 27 de Maio e nao tem bolas para assumir os erros…
    Os teus filhos e netos pagarao…
    Foi assim k aconteceu no Mexico…Troskty
    Estamos preparados para eliminar a tua raca

  12. João diz:

    Camaradas e amigos, peço-vos encarecidamente que pelo futuro Angola esqueçam e perdoem este caso, senão vejamos:
    Todas as revoluções têm:
    Os seus custos, materiais e Humanos, e no caso de Angola não foram poucos.
    As diversas formas (facções) de ver as coisas, situação esta que foi bastante explorada pelo exército colonial, daí a divisão da resistência Angolana em três movimentos de libertação que levou a uma guerra fratricida que só favoreceu o exército colonial, pois enquanto os três movimentos guerreavam entre si o exército colonial tirava vantagens “dividir para reinar” já é uma táctica que vem do tempo dos Romanos, a UNITA de J.Savimbi chegou até a ser apoiada pelo exército Português para combater o MPLA”e isto está documentado”, o mal partiu logo de inicio.
    Neste caso em apreço pergunto eu o que aconteceria se os insurgentes tivessem levado a deles avante? Quantos iriam eles fuzilar? que naquele contexto não haveria hipóteses de fazer prisioneiros, na guerra e quem por lá passou sabe que por vezes é impossível não matar. Agora estariam aqui os familiares e amigos daqueles que estando no poder seriam derrotados e fuzilados a bater na mesma tecla.
    Vamos por uma pedra sobre o assunto e pensar o futuro, concordo sim que se faça uma homenagem a todos os mártires e heróis da Pátria que deram a sua vida pela libertação de Angola e ainda aqueles que ainda estando vivos também combateram com a mesma finalidade e vamos pensar o futuro, que passa por uma educação de qualidade e gratuita para os estudantes Angolanos, por uma saúde igualmente de qualidade e gratuita para todos os Angolanos, uma boa segurança social para que possa assegurar o sustento aos idosos reformados e aqueles que por algum motivo percam o seu emprego e fiquem desempregados, o que no caso Angolano não será fácil pois Angola tem tanto que construir e desenvolver.
    Vamos sim, pensar em consolidar a democracia e desenvolver a economia Angolana, isso sim é pensar o futuro de uma forma positiva, vamos esquecer a guerra e os ódios que isso só destrói as mentes e os corações.

    De um tuga que foi com 5 anos viver para Angola, pois o meu pai era operário metalúrgico e foi para esse país maravilhoso e abençoado por Deus a procura de uma vida melhor e em consequência da guerra tive que deixar Angola aos 15 anos de idade e agora choro quase todos os dias de saudades dessa terra maravilhosa onde ficou minha mãe sepultada no cemitério de Santa Ana em Luanda e onde ficou também o meu sorriso de menino.
    O meu abraço a todo o povo Angolano e vamos pensar do fundo do coração num futuro melhor para Angola que eu considero também minha Pátria.

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