Plataforma 27 de Maio denuncia encenação teatral

Com pompa e circunstância, e direito a Mestre de Cerimónia, a CIVICOP está a organizar uma encenação para o próximo dia 27 de maio, com o título de cartaz “HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DOS CONFLITOS POLÍTICOS”, que merece a nossa denúncia pública e nos obriga, tendo em atenção os antecedentes, a nos afastarmos definitivamente dos trabalhos desta entidade.

Plataforma 27 de Maio denuncia encenação teatral

Pretendem a CIVICOP e o Governo passar uma esponja sobre os massacres que vitimaram milhares de angolanos. Pretende-se, sobretudo, passar a imagem de que tudo ficará resolvido, a reconciliação será feita e o perdão concedido, não havendo responsáveis pelos crimes hediondos nem busca da Verdade Histórica. Beneficiam as autoridades da presença de alguns colaboracionistas e do aval de algumas instituições, que se deixaram aliciar pelo poder.

A verdadeira homenagem que as vítimas merecem deveria começar com um pedido de perdão público do Sr. Presidente da República e dirigente máximo do MPLA , General João Lourenço, pelos crimes praticados pelo regime naquele período, seguindo o exemplo do Papa Francisco, que pediu perdão pela passividade da Igreja Católica perante o genocídio no Ruanda. No caso de Angola, não houve passividade mas autoria no massacre,

Uma homenagem credível terá necessariamente de passar pela satisfação das matérias que apresentamos na nossa carta de 23 de julho de 2020:

a) Que se procure a Verdade Histórica, com uma investigação, isenta e célere;

b) Que seja definido como objectivo a identificação dos responsáveis pelos crimes cometidos, única forma de se saber a quem se perdoa, precedido de um pedido de perdão;

c) Que os agentes da repressão que praticaram crimes deixem de ser considerados “vítimas”, pois, a obediência a ordens ilícitas e violadoras dos Direitos Humanos não constitui, causa de justificação do crime praticado;

d) Que se defina como objetivo central da Comissão de Averiguação e Certificação dos Óbitos, a localização dos restos mortais das vítimas, a sua certificação pelo teste de ADN, a emissão das respectivas certidões de óbito, onde a data e causa da morte e, por fim, a sua devolução às famílias.”

Ao invés de dar uma resposta positiva, a CIVICOP ignorou os nossos contributos, o que nos levou a anunciar, em 11 de março passado, a decisão de suspender a nossa participação nos trabalhos desta entidade.

Só em 20 de Maio tivemos conhecimento de uma carta de resposta alegadamente enviada em Março, de teor vago e vazia de conteúdo, remetida a quem não tinha poderes de representação.

Dias depois, somos confrontados com esta encenação teatral programada para o dia 27 de Maio. Obviamente que não só não damos o nosso aval a esta manobra de propaganda escandalosa, como a denunciamos, rompendo, em definitivo, com a CIVICOP, na convicção de que tudo fizemos para contribuir para uma verdadeira Reconciliação Nacional, de acordo com os princípios da Justiça transicional.

Não vamos desistir deste nosso combate sem tréguas e apelamos aos patriotas angolanos, aos amantes da VERDADE e da JUSTIÇA e à comunidade internacional para que não se deixem ludibriar por esta manobra fraudulenta.

A PLATAFORMA 27 DE MAIO
(constituída pela Associação 27 de Maio, Associação M-27 e Grupo de Sobreviventes)

Luanda, 23 de Maio de 2021


27 de Maio - 44 anos

Plataforma 27 de Maio


Sugestões

1 Response

  1. Isabel Mateus diz:

    Cabe ao Estado Angolano procurar a Verdade com uma investigação isenta e célere, identificando os responsáveis pelos crimes cometidos; devolver às famílias os restos mortais das vítimas e proceder à emissão das respetivas certidões de óbito . Deve ainda haver um pedido de desculpas

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