CARTA ABERTA AO CHEFE DE ESTADO ANGOLANO
27.05.2008
Exmo. Senhor Presidente:
Ao sabermos do propósito de promover em Setembro próximo eleições legislativas, acontecimento há muito esperado, considerámos oportuno solicitar de novo, como achega a tão elevado sinal democrático, a sua atenção para a nossa pretensão que reclama pelo esclarecimento da verdade, desejo antigo e tão ansiado por larga fatia da sociedade angolana, que viu muitos dos seus desaparecerem na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.
Já vai longa a troca de acusações manifesta por sobreviventes, familiares dos desaparecidos e de outros participantes no processo ou por seus representantes. Reclamam-se todos de justiça e pela restauração da imagem e dignidades manchadas. Porém, se os primeiros apelam ao mais alto dignitário da nação para que promova a constituição de uma Entidade Independente dotada de poderes necessários para indagar o passado, dos outros há quem espere venha a ser o MPLA a dar explicações para o seu comprometimento, enquanto outros, integrantes do Partido e do Estado, estão dispostos a sugerir a investigação e recolha das evidências históricas como contributo para a busca da verdade sobre o que deveras ocorreu a 27 de Maio de 1977, privilegiando a acção daquele que foi, em última instância, o responsável por todos os gestos do Estado, o então presidente Agostinho Neto.
Senhor Presidente, volvidas três décadas de resignação e silêncios forçados, torna-se premente, que de forma decisiva nos conceda a sua indispensável cooperação para se desenvolver um trabalho sério e uma pesquisa rigorosa. E porque todos os processos têm um início, quem melhor posicionado que V.Exa., para proporcionar o acesso a toda a informação e documentação, abrir à investigação a consulta dos arquivos do MPLA e do Estado Angolano, permitindo válidas e esclarecedoras conclusões, como por exemplo trazer a público o resultado conseguido pela Comissão de Inquérito a que então presidiu por incumbência do B.P. do MPLA, conclusão essencial, pois dirá a forma e a medida da “implicação fraccionista”, que se dizia ter invadido o MPLA, os seus meandros e práticas, afinal para benefício de quem.
Senhor Presidente, se até aqui foi nosso propósito apelar do seu compromisso na prossecução desta tarefa que propõe restabelecer a verdade na história de Angola e na do MPLA, de onde o “27 de Maio de 1977″ não pode ser arredado, vamos arriscar de novo sensibilizá-lo para que atenda anteriores pedidos que, uma vez satisfeitos, engrandeceriam a Nação e dignificariam o seu Presidente. Já passaram mais de trinta anos e ainda não foram entregues as certidões de óbito que atestem a causa da morte de inúmeros cidadãos. Conhecer os locais onde se encontram os seus restos mortais, proceder-se à sua exumação e sequente entrega às famílias para que estas procedam ao seu digno funeral, seria um gesto de enorme humanidade.
Tendo sido criada por iniciativa de V.Exa. uma “Comissão Multisectorial”, um projecto que visa valorizar e divulgar figuras históricas angolanas, no intuito de fortalecer a unidade nacional e que terá competência para conceber e edificar estátuas e monumentos históricos, permita-nos desde já que possamos candidatar como figura histórica digna de tal merecimento, todos aqueles que pereceram na sequência dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. Afinal, das mais faladas figuras aos demais anónimos que desapareceram, todos concorreram, cada qual à sua maneira, para pôr fim ao colonialismo, para vencer os invasores e para erigir Angola como Nação independente.
Aguardamos verdadeiramente pelo Vosso interesse na prossecução desta nobre tarefa, que visa repôr verdades, fazer justiça e devolver dignidade, jamais esquecendo o passado para que não se repita no futuro.
Lisboa, 27 de Maio de 2008
A Associação 27 de Maio
Comentários
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a intencao eh boa. so que como os assassinos ainda estao no poder farao de contas que nao leram nada!!!
aló voz da paz
regozijo/me em saber que esta data não está a ser esquecida pelos angolanos porque estando ou não no poder os assassinos haverá o dia *de* em que todos serão chamados a nos esclarecerem o porquê ou a responderem que sim agimos assim por isso ou por aquilo é necessária uma justificação pública ,
muitos criticam os livros que saiem ao público sobre o 27 de Maio mas enquando os que estão no poder que protagonizaram esses assassinatos todos não se defenderem ou contrariarem o que os livros mostram então caros amigos estamos diante uma verdade verdadeira sem comentários.
por favor deixem que as pessoas desabafem para que não morram sufocados com a guerra silenciosa que já destroi vários cidadãos que sentiram na carne o que foi e é ser conotado porque ainda existe a conotação indirecta feita como uma arma silenciosa posta na mão dos detentores do poder em Angola os famosos Angolanos de primeira.
obrigada por esta oportunidade
henda
É com muito e boa fé que deixo esta mensagem somente para anuciar ou seja acrescentar que o povo Angolano necessita de um Partido que possa governar com mais estatuto, rigor e atenção na mudança da Patria sem favoritismo e ignorancia Angola percisa de mudanças e os dirigentes sabem muito bem disso…
Histórias mal contadas não são História. Serão sempre mentiras.
O POVO ANGOLANO precisa se reconciliar com sua História. Urge que tudo o que se passou naquela ocasião seja esclarecido.